Temer acertou. Mudar é preciso. Jovem do ensino médio não tem sequer uma hora de aula para o mundo do trabalho – Editorial

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Preparar os jovens para atuação profissional, por meio de uma educação em sintonia com o mercado de trabalho, traz grandes vantagens para a sociedade. Os alunos saem dos cursos com boas perspectivas de carreira e instruídos para a prática profissional.  O setor privado recebe mão de obra qualificada, reduz o custo de treinamento e vê crescer a produtividade.

Apesar das vantagens óbvias, um jovem que sai do ensino médio regular hoje não teve sequer uma hora de aula que o preparasse para o mundo do trabalho. Resultado: os jovens demoram mais tempo para se firmar no mercado, enquanto o setor produtivo sofre com a escassez de trabalhadores qualificados

Em uma pesquisa divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em 2014, mostrou que  a maioria dos entrevistados defende que se adotem medidas para a valorização do ensino profissional. De acordo com o levantamento, 90% dos entrevistados concordam que quem faz ensino técnico tem mais oportunidades no mercado de trabalho do que quem não faz nenhum curso. Sobre salários, a percepção também é positiva: 82% concordam que os profissionais com certificado de qualificação profissional têm salários maiores do que os que não têm.

Um dos casos mais bem sucedidos de educação profissionalizante é o da  Alemanha, uma das maiores economias do mundo, com forte tradição na qualificação de mão de obra. Lá, a maioria dos alunos do ensino secundário superior – equivalente ao nosso ensino médio – está matriculada em cursos técnicos que utilizam o sistema dual de aprendizagem. O modelo alia a educação na escola profissionalizante a um estágio em alguma empresa, unindo instrução teórica e prática. Dessa combinação saem profissionais moldados às diferentes necessidades do mercado.

No país alemão, ao contrário daqui, o ensino profissionalizante não possui um status social inferior em comparação aos estudos acadêmicos. Os jovens do ensino profissional são muito interessantes para as empresas porque eles conhecem os processos internos de produção, o que os torna potenciais gerentes e administradores.

“Eles são capazes de se comunicar em pé de igualdade com o pessoal da área de produção. Além disso, eles têm o talento necessário para atuar em nível gerencial”, explica Sirikit Krone, pesquisadora do Instituto para o Trabalho e Qualificação da Universidade de Duisburg-Essen, que analisa a transição dos adolescentes da escola para a vida profissional.

Se o presidente Temer confirmar o foco na educação profissionalizante para o ensino médio, conforme anunciado ontem, teremos um grande recomeço no ensino brasileiro.

Elisa  Robson é jornalista e adminstradora da página República de Curitiba

23.09.2016

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