O maquiavélico elogio de Renan à Cármen Lúcia

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Nesta sexta-feira, o presidente da República, Michel Temer, fez um esforço para diminuir o atrito que se instalou entre os poderes Legislativo e Judiciário durante a semana. Ele reuniu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia e o ministro Alexandre de Moraes, da Justiça, a quem Renan chamou de “chefete de polícia”.

Na semana passada, o juiz de primeira instância Vallisney de Souza Oliveira autorizou a prisão de quatro policiais legislativos, além de buscas na sede da Polícia Legislativa no Congresso Nacional. Após o episódio, o presidente do Senado declarou que a operação foi “fascista” e chamou o juiz responsável de “juizeco”. Cármen Lúcia rebateu as críticas no início desta semana, dizendo que onde um juiz é “destratado”, ela também é.

O encontro transcorreu em meio a troca de gentilezas forçadas. Mas Renan se superou. Ele elogiou a presidente do Supremo: “Exemplo de caráter”.

O reconhecimento quanto ao caráter da ministra Cármem Lúcia é ponto pacífico. Mas o comportamento de Renan, não.  Bem adequado é o adjetivo  “maquiavélico”  nesse episódio. Ele significa que “os fins justificam os meios”, ou seja, para se alcançar um objetivo (como no caso de Maquiavel, o poder e sua manutenção) vale utilizar-se de qualquer método.

A ministra marcou  para o próximo dia 3 de novembro, o julgamento de uma ação que pode ameaçar o cargo do presidente do Senado. O plenário do STF analisará uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade, que argumenta que o presidente da República não pode, no exercício das suas funções, responder a ações penais por crimes comuns. Renan é o segundo na linha de sucessão  para assumir eventualmente a Presidência da República, e é alvo de ao menos 11 inquéritos que tramitam no STF.

28 de outubro de 2016

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