Com Lava Jato, competição no mercado está mais transparente e justa, afirma investidor

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Para Otávio Castello Branco, sócio do Pátria Investimentos para a área de infraestrutura, o Brasil precisa se orgulhar da sua “maturidade”. Fazendo o balanço de 2016, ele é categórico: “Poucos países teriam atravessado a crise que atravessamos com uma gestão tão exemplar”. Olhando para 2017, está esperançoso. “Com o novo governo e com a Lava Jato, houve uma mudança estrutural positiva na forma de se fazer negócios no Brasil: a competição se dará em bases transparentes e justas. De mercado”, diz.
Sócio da americana Blackstone, a maior empresa global de fundos voltados a empresas, o chamado private equity, o Pátria faz hoje a gestão de US$10 bilhões e tem mais de US$ 4 bilhões para novos aportes – que Castello Branco acredita que serão feitos este ano. O Pátria já avaliou até ativos de empresas investigadas na Lava Jato. “Há potenciais riscos associados que ainda não estão claros. Não sabemos como vão se dar os tais acordos de leniência. É um mundo novo para os negócios”, diz ele. A seguir, os principais trechos da entrevista que deu ao jornal O Estado de S. Paulo.

Em retrospecto, 2016 foi um ano muito difícil…

O ano que não terminou.

Que lição ele deixou?

Ninguém está preparado para situação igual a que a gente viveu. Passamos pelo impeachment, num ambiente político delicado, com a entrada do vice-presidente, a montagem de um novo gabinete de ministros. A Lava Jato atravessou o ano criando notícias. A gente acordava sem saber o que vinha pela frente. Afora o cenário externo, com Brexit, eleição de Trump. Muita gente não se deu conta: no meio disso tudo, tivemos mudanças fundamentais positivas.

Que mudanças positivas?

Na nossa visão, a democracia sobreviveu. Se a gente der um passo atrás e observar, vai ver que os mecanismos que a sociedade têm para cobrar resultados e impor limites funcionaram. Olhe o tamanho do caso de corrupção que enfrentamos, o número de pessoas poderosas que estão sendo processadas, tanto no meio empresarial quanto no político. E ainda assim a imprensa livre exerceu o seu papel. A sociedade exerceu o seu papel de forma pacífica. O Judiciário teve um protagonismo forte e vimos conflitos e atuações previstos na Constituição, com um poder checando e ajudando a gerir o outro. O mercado e os investidores perceberam isso. Olham pelo mundo e veem que poucos países teriam atravessado a crise que atravessamos com uma gestão tão exemplar.

Mas esse ambiente instável não preocupa os investidores?

No começo, preocupava. Não tinham a dimensão do alcance do caso, nem de como a sociedade reagiria. À medida que o País agiu na forma da lei, houve uma inversão. A percepção é que o Brasil foi maduro. A ficha vai caindo devagar, mas o positivo é que, com o novo governo e com a Lava Jato, houve uma mudança estrutural positiva na forma de se fazer negócios no Brasil.

Mas não vimos isso se traduzir em investimentos concretos.

Ainda estamos no começo do processo. Vivemos a transição. Saímos de um modelo pró-Estado, intervencionista, com subsídios, dirigista na escolha de campeões nacionais, com a presença maior de bancos públicos. Agora, estamos passando para o modelo pró-mercado, onde o Estado tem o papel de regular, dar diretrizes, não intervir, não participar, deixar isso para o setor privado. Essa mudança, que terá um efeito perene, de longo prazo, demora para ser incorporada. A confiança não voltou totalmente, mas ela está voltando. Temos de dar um desconto para o governo, que teve o trabalho de arrumar a casa. Mas o que foi feito, teve resultado. Tivemos leilões de linha de transmissão e a privatização da Celg (Companhia Energética de Goiás) com participação forte dos investidores. É o início da retomada.

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