Os Odebrecht e as Farc: máquinas do crime e sangue de inocente nas mãos

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Por Elisa Robson*

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foram criadas em 1964, como um grupo de cunho marxista-leninista, atuando no meio rural e adotando táticas de guerrilha. Seu discurso ideológico era a implantação do socialismo na Colômbia. Durante a década de 1990, chegaram a ter 18 mil guerrilheiros.  E até 2016, o saldo era de mais de 260.000 mortos, dezenas de milhares de desaparecidos, quase sete milhões de pessoas que tiveram de deixar suas casas à força, estupros, sequestros e inúmeras vidas marcadas para sempre.

O contrabando de drogas, em especial da cocaína, sempre foi prática comum nas Farc, pois era por meio desse recurso que a organização obtinha dinheiro para se equipar militarmente e praticar toda sorte de perversidades contra população colombiana.

Bem, essas eram as informações oficiais que se tinha até ontem (4).  Informações que, certamente, deveriam ser o suficiente para que ninguém pudesse cogitar fazer qualquer tipo de transação comercial com a organização terrorista, sabendo que tal “negócio” levaria inevitavelmente ao seu financiamento.

Mas não para os Odebrecht.

Na ganância por ocupar territórios, eles partiram para a guerrilha.  Em sua ambição desmedida por adquirir vantagens que não conseguiram obter no livre mercado, eles optaram pelo crime.

A construtora brasileira não apenas foi capaz de tecer uma ampla rede de subornos na América Latina, como também fechar negócios com o grupo terrorista da Colômbia. A empresa reconheceu ter pago durante 20 anos um imposto à principal guerrilha colombiana em troca de poder realizar suas obras, entre as quais se encontra a Ruta del Sol, rodovia que liga o centro da Colômbia a cidades do Caribe. As entregas de dinheiro começaram nos anos noventa e oscilavam entre 50.000 e 100.000 dólares (155 mil e 311 mil reais) ao mês.

De acordo com a revelação feita pela revista Veja sobre o caso, a Odebrecht admitiu à Justiça ter entregado 11,2 milhões de dólares (34,9 milhões de reais) na Colômbia em apenas cinco anos, entre 2009 e 2014. Segundo a declaração de um ex-senador colombiano à Procuradoria-Geral, uma parte do dinheiro, 1 milhão de dólares (3,1 milhões de reais), teria sido destinada à última campanha eleitoral do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em 2014.

Em setembro de 2016, com a Operação Lava Jato a todo vapor, Juan Santos promoveu um plebiscito para saber se os colombianos concordavam com um certo “acordo de paz” entre o governo e as Farc. A população, que tanta injustiça sofrera nas mãos dos terroristas, obviamente recusou. Não obstante, o presidente colombiano foi em frente. Resultado: no dia 28 de dezembro, o governo aprovou uma  Lei de Anistia com perdão de todos os membros das Farc, beneficiando 4.500 membros da organização.

Como você pode perceber, a interligação é a mesma de sempre e a que afronta os cidadãos com alta sordidez: mentiras, delitos, propinas, subornos, favorecimentos, fraudes, deturpações, negociatas.

Os Odebrecht seguiram direitinho a cartilha do crime. Associaram-se corruptamente a políticos. No caso do Brasil, principalmente ao PT, que ficou um longo tempo no topo do poder e, na Colômbia, a Juan Santos.  O dinheiro ajudou candidatos dos dois países a criarem uma coalizão que usou o poder do estado (e, agora, sabemos também o poder do narcotráfico) em seu benefício sem sofrer nenhuma resistência.

Embora não tenham usado armamento militar para o crime, os Odebrecht, ao financiarem as Farc, carregam em sua história o sangue de inocentes, da população colombiana que foi explorada até à morte.  A arma que usaram? A corrupção.

E como nos ensinou o procurador Deltan Dallagnol: “A corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa. Ela é uma serial killer”.

*Elisa Robson é jornalista.

 

 

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