‘Faça concurso para juiz’, diz Moro a advogado de Palocci

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Defesa do ex-ministro protestou contra pergunta feita pelo magistrado ao executivo Fernando Barbosa, da Odebrecht

O juiz Sergio Moro e o advogado de Antonio Palocci, José Roberto Batochio, discutiram durante audiência realizada na manhã desta segunda-feira (6). O juiz queria saber de uma testemunha, o executivo Fernando Barbosa, da Odebrecht, o que ele havia entendido sobre o conteúdo de um e-mail que lhe fora endereçado.

“Com devido respeito, testemunha não pode achar nada, não opina. Não vou aceitar essa violência”, protestou Batochio, que pretendia ver anulada a pergunta do juiz. Moro indeferiu a questão e, diante de novo protesto, encerrou o assunto: “Faça concurso para juiz e assuma então a condução da audiência, mas quem manda na audiência é o juiz”.

A discussão ocorreu depois que o juiz perguntou a Fernando Barbosa, uma das testemunhas ouvidas, se ele sabia quem era o “Italiano” nas planilhas da Odebrecht. Barbosa disse que sabia, por outros executivos da empresa, que Palocci era “o Italiano”.

Ao fim do depoimento, a defesa de Palocci quis saber novamente como Fernando Barbosa sabia que o ex-ministro era o “Italiano”, uma vez que não o conhece e nunca esteve com ele. “Eu ouvi dizer por colegas da empresa que o ‘Italiano’ era o Palocci, mas não estive com ele, não conheço ele, essa é a verdade”, disse o executivo.

Barbosa confirmou que o codinome “Italiano”, que constava em planilhas de pagamento de propina da empresa, pertencia ao ex-ministro Palocci. Nas investigações da Lava Jato, o apelido “Italiano” aparece numa das planilhas apreendidas no setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, mais conhecido como departamento de propina. Para a Lava Jato, todos os recursos movimentados por “Italiano” eram direcionados ao PT e alcançaram R$ 128 milhões, entre 2008 e 2013.

Ao receber a denúncia contra Palocci, Moro afirmou em despacho que havia provas que Palocci era o responsável pela coordenação dos recebimentos da Odebrecht para seu grupo político. Na planilha “Posição Programa Especial Italiano”, apreendida no email de Fernando Migliaccio da Silva, em julho de 2012, o valor disponível era “200.098”.

Há ainda na parte inferior do documento, sob o título “Composição do Saldo”, os codinomes “Itália – 6.000”, “Amigo – 23.000” e “Pós Itália – 50.000”. Para a força-tarefa da Lava Jato, “Pós-italiano” refere-se ao ex-ministro Guido Mantega, que teria sucedido Palocci na administração dos recursos.

Na semana passada, após depoimento de Marcelo Odebrecht à Justiça eleitoral, nainvestigação da chapa Dilma-Temer, a assessoria de Dilma afirmou que “não é verdade que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido Mantega como seu representante junto a qualquer empresa tendo como objetivo a arrecadação financeira para as campanhas presidenciais” e que nas duas eleições foram designados tesoureiros, de acordo com a legislação.

Palocci é acusado neste processo de ter orientado a Odebrecht a fazer pagamentos no exterior a João Santana, cobrindo gastos de campanha do PT. A defesa de Palocci nega as acusações e afirma que ele não é o “Italiano” das planilhas da construtora.

Fonte: Gazeta do Povo

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2 comments

  1. Esses vilões (Advogados da defesa dos corruptos) se utilizam da legislação atual do Brasil para desfazer da autoridade dos juízes. Temos de acabar com essa legislação promíscua que os políticos corruptos do período da C F de 1988 para cá, elaboraram.VIVA UM NOVO B R A S I L

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