Será uma covardia coletiva reeleger os atuais políticos

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Plenario

 

Por Elisa Robson *

Em 2016, demos um grande passo e mudamos o mapa da política brasileira varrendo o PT. Das investigações da operação Lava Jato à crise econômica iniciada no governo Dilma Rousseff, os eleitores reconheceram a gravidade dos fatos. Após governar o país por 13 anos seguidos, o partido sofreu a pior derrota entre todas as legendas sob qualquer aspecto.

No vácuo do declínio petista, partidos de menor expressão, os chamados “nanicos”, avançaram. A pulverização beneficiou siglas como PHS e PTN, por exemplo, que elegeram mais prefeitos e ganharam mais votos. Entre partidos maiores, o PSDB foi o que mais cresceu.

De lá pra cá, a Lava Jato continuou e chegamos a um momento crítico, necessário e aguardado, em que o número de políticos descobertos em tramas de corrupção não para de crescer.  Enquanto isso, integrantes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados tentam, de todas as formas, fazer com que leis e conchavos os livrem das consequências dos crimes que cometeram.

O caso mais escandaloso é o da anistia do caixa dois. Sobre esse tema, em novembro do ano passado, parlamentares chegaram a elaborar um texto para que fosse incluído no projeto das 10 Medidas Contra Corrupção um “perdão” automático a qualquer crime que estivesse vinculado a doação legal ou ilegal.

Veja como foi redigido.

“Não será punível nas esferas penal, civil e eleitoral, doação contabilizada, não contabilizada ou não declarada, omitida ou ocultada de bens, valores ou serviços, para financiamento de atividade político-partidária ou eleitoral, realizada até a data da publicação dessa lei”.

Na operação Lava Jato, os delatores contam que pagaram doações, fossem elas registradas ou não, como forma de propina a partir de contratos com a Petrobras. E, como você viu, o texto apresentado em forma de emenda dizia expressamente que estas doações não poderiam ser punidas nas esferas criminal, civil e eleitoral.

Eu poderia continuar escrevendo sem parar a fim de ajudar o leitor a lembrar de todos os absurdos que a nossa atual classe política cometeu até hoje. De todas as afrontas e mentiras que nos foram ditas. De todas as propostas, completamente ignoradas após as eleições, que versaram sobre segurança pública, transportes, educação, saúde, política fiscal, energia, relações internacionais, etc.

Mas, prefiro incentivar o leitor a acompanhar as notícias, desenvolver o seu sentido de cidadania e estimulá-lo a investir, mesmo que seja um pouco por dia, parte do seu tempo em refletir sobre como se poderá fazer efetivamente uma mudança por meio do voto daqui a 19 meses.

Não estou supondo que qualquer eleitor vá abrir mão de sua vida para ficar pensando sobre uma série de questões complexas que estão fora da sua alçada, como, por exemplo, se a prioridade do investimento público seria a saúde ou educação e como equacionar esse problema. De forma alguma. Porque isso deve ser proposto e solucionado pelo gestor político e sua equipe sobre quem depositaremos nossa confiança a partir das urnas.  É ele quem deve estudar, calcular, investigar sobre como e quais investimentos vão atender de fato às demandas mais prementes da população.

O que nos resta, então?  A quem vamos confiar nosso voto?

Mesmo que ainda não tenhamos a resposta direta para essa questão, precisamos levar em conta dois fatores desde já.

Em primeiro lugar, não devemos reeleger os que estão aí.  Não reeleger os que lutam contra a Lava Jato e fazem de tudo pela manutenção desse velho sistema corrupto. Portanto, estamos falando da maioria. Pois, poucos estão ao lado da Lava Jato.

Em segundo lugar, termos em mente que se o capital gerado e administrado pelos atuais governantes satisfazem as necessidades da classe política e dos interesses especiais mancomunados com ela, só há uma saída: esses governantes precisam ser banidos da vida pública.

*Elisa Robson é jornalista.

 

 

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4 comments

  1. Importante que seja divulgado o nome de todos que estão contra a lava jato e também quem estão contra em acabar o foro privilegiado. Para que todos brasileiros tomem conhecimento. E acabar de uma vez por todas com a banda podre da política.

  2. Pois é cara Elisa, nas últimas eleições, vários conhecidos e amigos me perguntaram em quem eu iria votar! Pensei um pouco e desenvolvi um diálogo comigo mesmo, surgindo assim, um modesto trabalho que estou lhe enviando. Em quem vou Votar?
    Como escolho meu candidato à presidência?
    Confira argumentos e pontos relevantes para sua decisão.

    Várias pessoas estão me perguntando em quem eu vou votar e sobre isso, respondo aqui.

    Não dá para responder de forma rápida e curta porque o que acho que vale para o leitor será validar ou não os critérios de raciocínio.

    Minha escolha não importa, mas sim em discutirmos como deveria ser a melhor escolha.

    Embora seja um direito, acho errado alguém votar nulo ou branco já que o momento é extremamente grave.

    Escolha-se o menor pior é o que sugiro; e qual é o menor pior?

    Escolha usando critérios razoáveis e lógicos.

    Vamos lá:

    (1) Não acho que ninguém vai definir ou redefinir seu voto por causa da minha opinião, por isso realmente não acho que uma declaração minha faria diferença.
    Porém, acredito que em especial devo informar critérios que podem ser seguidos para uma decisão mais racional.
    No caso, claro, os critérios que eu mesmo seguirei.
    Recomendo que você escolha os critérios que acha melhor e os siga.

    (2) A doutrina mostra que o exercício do cargo de qualquer pessoa não o exclui de seu direito de cidadania e que a declaração de voto é lícita e legítima.
    Mesmo assim, não irei declarar meu voto.

    (3) O fato de ser cidadão, ter filhos que moram no país que escolhemos, me obriga a votar e a votar da melhor maneira possível.
    Votar no menor pior.
    E para escolher o menor pior, mais que o direito, tendo o dever de responder a que me indaga sobre o assunto.

    (4) Me preocupa que o/a próximo/a Presidente irá escolher 5 ministros do STF, e isso é muito sério.

    (5) Me preocupa que ambos os candidatos, ainda que em graus diferentes, estejam mais preocupados em atacar a imagem do outro do que apresentar suas ideias e propostas.
    Igualmente, me preocupa que os candidatos possam não querer que sejam citados os erros cometidos por eles mesmos ou pelos partidos que os representam.
    O currículo do que os candidatos e os partidos fizeram de bom e de ruim tem que contar como verdade.
    Conta sim, não se pode mentir, como estão fazendo, mas contar o que fazem ou fizeram, isso pode e deve ser a transparência que procuramos.

    (6) Me preocupa o uso da máquina pública para fins eleitorais, o que não é aceitável em nenhuma hipótese.
    Veja, por exemplo, a situação das acusações de uso eleitoral dos Correios que é algo a ser apurado e, se for o caso, punido.

    (7) Me preocupa o histórico de o quanto cada um dos candidatos cuidou dos concursos, dos servidores públicos, dos reajustes que impedem a desvalorização do serviço público, o quanto fizeram pela inclusão social e racial.

    (8) Me preocupa o quanto se aceita de corrupção em nosso país.
    O que aconteceu com Petrobras, Abreu Lima, Pasadena, superfaturamento dos estádios da Copa etc. que deveria ter gerado multidões na rua como no ano passado.
    Me preocupa a acomodação do brasileiro a tanta corrupção.

    (9) Me preocupa que não olhemos, ao estudar em quem votar, o histórico dos atuais candidatos e partidos.
    Não podemos esquecer quem foi que fez as coisas boas e as ruins.

    (10) Me preocupa que não olhemos o passado para verificar os históricos de roubalheira dos dois partidos, ou seja, é preciso fazer um grande apanhado do que se sabe de cada um dos candidatos e de seus partidos para só então tomar alguma decisão razoável.
    Como é o PT que está no poder, a tendência é olhar mais o que há de elementos contra o PT, mas o certo é olhar os governos do PT e também os do PSDB, ou seja, analisar os governos federais e estaduais dos dois partidos em busca de qual é o que tem menos histórico de corrupção.

    (11) Me preocupa, dentro do princípio republicano, a alternância no poder, até para evitar aparelhamento (tanto lícito, como na escolha de membros do judiciário, quanto ilícito, no uso errado dos cargos em comissão).
    Por outro lado, por mais que a alternância no poder seja importante, não se pode apenas alternar por alternar.
    Este princípio pode contribuir para a decisão, mas não defini-la.
    Sempre precisamos escolher o melhor ou, quando menos, o menor ruim.

    (12) Me preocupa o enriquecimento esplendoroso de alguns servidores públicos e seus familiares.
    Em suma, não é uma decisão fácil e mesmo assim, entendo que tenho que votar no/a menor pior.
    Nestas circunstâncias, declaro não meu voto, mas princípios que julgo pertinente para, neste momento, escolher em quem, mesmo contrariado votar. Mesmo tendo restrições aos dois, escolherei a pessoa que considerar a menor pior.

    Princípios básicos

    O básico é o que devemos usar para se escolher qualquer sócio, patrão, empregado, parceiro, cônjuge, associação, empresa etc.:

    4.1. Honestidade/integridade.
    4.2. Competência.
    4.3. Energia/disposição para trabalhar.
    4.4. Respeitar a lei dos relacionamentos, a lei do amor, a regra
    de ouro, ou seja, quem trata bem ao próximo.

    Princípios específicos

    a) Histórico de vida do/a candidato/a e seu respectivo partido.
    b) Não aguento mais corrupção, votarei em quem considerar menos corrupto, tanto pessoalmente quanto o seu partido.
    Temos que tentar achar o/a menos comprometido/a com corrupção.
    Corrupção existe em tudo que é humano, mas temos que escolher o/a candidato/a e partido menos envolvido com isso.
    c) Votarei em quem nos investimentos públicos prestigia meu próprio país.
    d) Votarei por uma atuação brasileira no plano internacional que faça por merecer e faça existir respeito ao nosso país.
    e) Idem, por um país que não apoie o terrorismo.
    f) Votarei contra aparelhamento do Estado e em favor da busca de quadros técnicos ao invés da corriola de apadrinhados/cabos eleitorais exercendo cargos de liderança.
    Cargo em comissão bem usado, ok, mas para gente que não trabalha, ou que está lá só para cuidar de interesses pessoais, comissões, roubalheira etc., isso não dá.
    g) Votarei em favor do concurso e do funcionalismo público não como valores em si, mas como valores que repercutem para a população.
    h) Votarei pensando em inclusão social, lembrando que programa social tem que existir e que programa social bom é o que cria mais portas de saída do que portas de entrada.
    i) Votarei pensando em quem respeita a diversidade, respeitando tanto religiosos quanto gays, impedindo qualquer ditadura ou opressão de um grupo pelo outro.
    j) Quero alguém que entenda que estado laico não é estado ateu, mas, sim aquele que respeita e convive com todas as opções religiosas (inclusive o ateísmo).

    Estou certo que em alguns pontos você, que me lê, imaginou que meu voto é para Aécio ou para Dilma (citei em ordem alfabética).
    Porém, noutro ponto, você deve ter invertido a resposta.
    Pois este é meu problema: tem coisas que prefiro em um, outras, no outro.
    E coisas insuportáveis aqui, outras ruins ali.
    Os dois candidatos têm coisas ruins, e coisas boas.
    Tenderei a evitar o insuportável (grau de corrupção, já que não há a inexistência dela) e a decidir também pelo conjunto.

    Conclusão

    Vou votar pelo conjunto da obra olhando os princípios gerais e os específicos que citei. E você, que leu até aqui, quem você acha que está mais perto de atender, no conjunto, estes princípios?

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