Odebrecht, desde 1980 comprando políticos e financiando a corrupção

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Por Elisa Robson*

De 1981 a 2001, Jack Welch atuou como CEO (presidente-executivo) da General Electric (GE). Até hoje, aos 81 anos, ele é considerado um dos maiores líderes do mundo corporativo. Foi responsável por tirar a GE de uma grande burocracia e aplicar diversas inovações gerenciais. De sua trajetória de 20 anos no posto mais alto da empresa, o executivo já compartilhou diversas lições, entre elas: o primeiro passo para o sucesso de uma empresa deve ser a definição da missão, depois detalhar seus valores e o comportamento para cumpri-la.

No Brasil, Emílio Odebrecht foi o CEO da poderosa empreiteira quase no mesmo período em que Jack Welch foi na GE.  Ele também deixou a presidência da instituição em 2001. Porém, ao invés de batalhar para que sua organização se desenvolvesse e alcançasse êxito por vias honestas, Emílio cedeu à tentação de constituir relações promíscuas para promover seu negócio.

Por exemplo, no fim da década de 1980 ele e Lula foram apresentados por Mário Covas. De lá pra cá, o relacionamento do petista com a empreiteira evolui tanto que, na última segunda-feira, ao juiz Sérgio Moro, Marcelo Odebrecht afirmou que a Odebrecht chegou a repassar a Lula, por intermédio do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, nada menos do que R$ 40 milhões a fim de “manter a relação”.

Outro caso, foi o contato com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), cujas conversas começaram no início dos anos 2000, quando ele ainda era deputado federal. O parlamentar mineiro tinha ascendência sobre a gestão da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Depois, com a sua eleição para o governo do estado as negociações corruptas se intensificaram. Aécio chegou a receber R$ 5,2 milhões em propina das empreiteiras, entre elas a Odebrecht, que tiveram permissão para erguer a Cidade Administrativa, sede do Governo.

Por fim, uma planilha anexada pelo executivo Benedicto da Silva Júnior, ex-presidente da construtora Norberto Odebrecht e um dos responsáveis por comandar o setor de “operações estruturadas”, trouxe o nome de 179 políticos como destinatários de R$ 246 milhões em supostos pagamentos via caixa 2 entre 2008 e 2014.

Nessa lista de repasses de dinheiro não declarado, os que mais receberam recursos foram o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que teria recebido R$ 61,9 milhões e o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, com R$ 21,2 milhões. Em terceiro, aparece o sucessor de Cabral e atual governador fluminense, Luiz Fernando Pezão, cujos repasses ilegais somaram R$ 20,3 milhões.

No âmbito internacional, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que o Grupo Odebrecht pagou 1 bilhão de dólares a políticos de diferentes países, provocando uma tempestade sobre a reputação de diversos governantes. O dinheiro foi enviado como doações de campanha ou propina direta para políticos em troca de contratos de construções, principalmente em infraestrutura. Entre os países envolvidos, estão: Argentina, México, Equador, Peru, Colômbia, Angola, Panamá, Guatemala e República Dominicana.

Como empreendedor, não podemos dizer que Emílio Odebrecht ignorou de todo a lição do grande Jack Welch. Está claro que ele sabia muito bem qual era a missão, os valores e o comportamento a ser adotado na sua empresa. Foi uma escolha consciente. Porém, perversamente consciente.

*Elisa Robson é jornalista.

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