A corrupção é um grave abuso de autoridade

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Por Elisa Robson*

Quando os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando Lima gravaram uma importante mensagem em vídeo pedindo para que a população se manifestasse contra o projeto de abuso de autoridade, que amordaça os investigadores da Operação Lava Jato, provavelmente já contavam com o aluamento de Roberto Requião.  Com o seu costumaz desvario, declarou que “seres mal intencionados postaram um jogral pedindo a mobilização popular para que o arbítrio contra o povo simples do Brasil seja mantido”.

Requião pode ter muitos defeitos, mas uma coisa há de se admirar nele: é sempre devoto à estolidez e tolices de suas ideias. E a devoção, como sabemos, seja a que causa for, nobre ou não, tem em si relevância. De tão devoto, pode-se dizer que ele é um tipo focado, daqueles que perdem completamente a visão periférica das coisas.

No momento, o devoto Requião age com o fervor e a toleima de sempre ao defender um projeto que, embora tenha mérito institucional, foi desenhado com todos os contornos para ser instrumentalizado com oportunismo para servir a alguns.

Em dezembro de 2016, Requião foi delatado pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado como um dos beneficiários das doações feitas pela JBS em 2014. Só da empresa envolvida na Operação Carne Fraca, Requião recebeu R$ 2,9 milhões (parcelas de R$ 400 mil, R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão). Em outro caso, a Operação Lava Jato prendeu o banqueiro André Esteves, dono do Banco Pactual, outro megadoador da campanha do peemedebista em 2014. Na disputa do Governo do Estado, Requião levou R$ 1 milhão do banqueiro e outros R$ 500 mil do Bradesco. Esteves foi preso em novembro envolvido na compra do silêncio do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT), um dos delatores da Lava Jato.

Talvez os casos acima estejam tirando o sono de Requião. E nós sabemos o que acontece quando uma pessoa não dorme: pode chegar à desordem mental. Se o senador está sofrendo deste mal ou não, não podemos afirmar com certeza. Mas uma coisa nos leva a suspeitar que há algo de errado: como alguém tão preocupado com crimes relacionados a abuso de autoridade ignora em seu discurso o fato de que a corrupção é um dos mais graves casos de abuso de poder? E por que ele está lutando para que a punição aos corruptos seja praticamente anulada?

Seu projeto enquadra a conduta de promotores e juízes, pois permite que um acusado acuse criminalmente seu acusador. Como explicou Dallagnol, ora, um Estado de direito, se quer que suas leis sejam aplicadas, inclusive contra poderosos, precisa proteger as autoridades contra a vingança dos acusados. Ou seja, ao intimidar juízes e promotores, o projeto permite que os políticos corruptos alcancem, direta ou indiretamente, sua própria impunidade.

Obviamente, Requião não é um ser bem-intencionado.

*Elisa Robson é jornalista.

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One comment

  1. Falar mal de Requião é coisa de cabeça de lata cochinha é único PMDB que conheço que presta tem caráter e fez o melhores governos no Paraná!

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