Curitiba: a evolução da cidadania

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Por Elisa Robson*

Sobre incêndios, há duas verdades: 1) Um incêndio não se desencadeia por acaso, é uma sucessão de erros; 2) A segurança contra incêndios é reativa e só depois de uma grande tragédia as normas de prevenção têm melhorado.

Isso significa que quase todas as recomendações que constam dos códigos e normas têm sido quase escritas com sangue.  É o caso do Código de Segurança da Vida, ou NFPA 101, um manual de 1300 páginas. Ele foi originalmente destinado ajudar as fábricas a serem mais seguras para as pessoas que nelas trabalhavam. Isso foi no início do Século XX. Seu foco inicial foram os riscos de escadas e saídas de emergência, a necessidade de simulações de incêndios e a construção e arranjo das saídas.

Um incêndio que teve grande impacto sobre esse código foi o que aconteceu na fábrica Triangle Shirtwaist Company, em 25 de março de 1911, em Nova York, onde morreram 143 trabalhadores, por exemplo. Um ano depois da tragédia, o NFPA publicou “Simulações de Incêndios em Escolas, Fábricas, Lojas de Departamento e Teatros”.

Esse é também um código de consenso, que foi amplamente adotado nos Estados Unidos. O documento permanece em um ciclo de revisão a cada três anos, e a próxima edição será lançada em 2018.

Mas esse código não foi escrito como um instrumento legal.

Ele destaca, entre outros aspectos, a conscientização e a responsabilidade das pessoas.

Hoje, o Brasil vive como se estivesse atravessando um incêndio de grandes proporções, o incêndio da corrupção.  E como sabemos, há duas verdades: 1) isso não aconteceu por acaso, foi uma sucessão de erros; 2) A segurança contra a corrupção está sendo reativa e acreditamos que depois dessa grande tragédia, chamada petrolão, as normas de segurança melhorem.

Como os bombeiros são os heróis durante os incêndios, a força-tarefa da Lava Jato representa os nossos salvadores em meio a tal tribulação.

No final das contas, podemos não ter um código estruturado como NFPA. Mas todos nós seremos capazes de compreender quais as medidas de prevenção cabíveis.

E um dos motivos para isso é porque o nosso senso de cidadania está evoluindo.

Hoje, em Curitiba, no tenso dia do depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, temos uma cidade ordeira, com cidadãos recebendo adequada orientação e segurança pública. Uma cidade preparada para imprevistos e visitantes mal-intencionados.

Também vemos que a maioria das pessoas atendeu ao pedido do juiz da República de Curitiba e decidiu agir e se manifestar pacificamente, transitar nas ruas com a educação habitual do povo curitibano. Mesmo que episódios isolados de desordem sejam registrados.

Uma tragédia sempre traz consigo traumas. Mas, se for devidamente analisada e a lição aprendida, também pode significar progresso para uma nação.

Isso é a evolução da cidadania.

*Elisa Robson é jornalista

 

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