“Minha reputação está abalada”, queixa-se Guido Mantega sobre delações

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Guido MAntega 2

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou em entrevista à “Folha de S. Paulo” que sua vida virou um ‘inferno’ e sua reputação foi abalada após sua prisão e seguidas citações ao seu nome por parte de delatores da Lava-Jato. Entre eles, Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, e Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira que leva seu sobrenome, já o acusaram, por exemplo, de negociar valores ilegais para o PT. O empresário Eike Batista, que não é delator, também mencionou o ex-ministro num depoimento voluntário. Confira aqui o que já foi dito sobre o ex-ministro petista.

APOIO FINANCEIRO DA ODEBRECHT

1) O que disseram: Ex-executivos da Odebrecht relataram ter recebido do então ministro da Fazenda pedido de apoio financeiro ilegal para a campanha presidencial do PT e do PMDB.

O que ele disse: “Tudo isso é mentira. Como ministro da Fazenda, era comum que participasse de reuniões coletivas e particulares com executivos da Odebrecht, terceira maior empresa brasileira. Jamais houve conversa sobre pagamentos, em caixa 1 ou caixa 2”.

2) O que disseram: Em delação premiada recém-homologada pela Justiça, Mônica Moura confirmou ter sido orientada por Mantega a procurar a Odebrecht para obter recursos ilegais, conforme revelou O GLOBO. Ela mencionou encontros privados com o ministro para tratar apenas deste tema.

O que ele disse: De acordo com sua defesa, desde 1989, Guido Mantega colabora com as campanhas do PT e na formulação de programa de governo. Como ministro da Fazenda, era normal que ele participasse de reuniões para discutir o programa do partido e a postura em debates, jamais para pedir dinheiro.

MEDIDA PROVISÓRIA

3) O que disseram: Marcelo Odebercht afirmou que também não tratou diretamente com Dilma sobre valores, mas com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Em 2011, Palocci se tornou ministro da Casa Civil de Dilma, mas ficou no cargo por poucos meses. Com sua saída, diz Marcelo Odebrecht, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, ganhou mais destaque na tarefa de arrecadar recursos.

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Odebrecht disse que, em troca da medida provisória 470, editada em 2009 e que permitiu refinanciar uma dívida da Braskem, empresa ligada à Odebrecht, a empreiteira se comprometeu a doar R$ 50 milhões. O dinheiro não foi necessário na campanha de 2010. “Como o Guido acabou não se envolvendo na campanha de 2010 — pelo menos não conosco — esses R$ 50 milhões acabaram ficando para a campanha de 2014”.

O que ele disse: Em entrevista à “Folha de S. Paulo” nesta segunda-feira, Mantega diz que, de fato, era o interlocutor do empresariado. Era ministro da Fazenda e 50% de seu tempo era dedicado a reuniões com empresariado, a seminários, almoços, jantares. Sobre a MP, ele diz ser mentira de Marcelo. “Ele é um ficcionista. Ele criou uma história. E ela é totalmente inverossímil. Não faz sentido essa questão do Refis.”

“E menos ainda R$ 50 milhões que diz que pedi num bilhetinho. Que bilhetinho? Mostra o bilhetinho! Ele tinha que montar uma história para dizer que tinha propina e inventou essa. Mas foi infeliz porque esse Refis foi feito para Deus e o mundo. Ele diz que os R$ 50 milhões ficaram como crédito na conta “Italiano”, apelido do Palocci, que administrava esse caixa. E que em 2014 o dinheiro foi gasto na campanha da Dilma. Por que não usamos esse crédito em 2010, quando a campanha acabou com uma dívida de R$ 17 milhões? Esse crédito foi transferido para 2014? Eu nunca vi um crédito dessa natureza. É da cabeça dele. E ele diz que em março de 2014 o crédito já era de R$ 150 milhões. Acrescentam R$ 100 milhões”.

DOAÇÕES À CAMPANHA EM 2014

4) O que eles disseram: Marcelo Odebrecht contou também que, em 2014, Guido Mantega relatou uma orientação dada por Dilma: as doações da empresa iriam direto para a campanha dela, e não para o PT.

O que ele disse: Em entrevista à “Folha”, ele diz que houve inúmeras reuniões sobre várias questões. “De fato, em algumas delas, ele manifestou o desejo de contribuir. Partiu dele. Havia uma certa animosidade entre ele e a Dilma. O Marcelo foi derrotado várias vezes e não gostava do governo. Eu acho que queria sinalizar para a Dilma que estava ajudando”.

5) O que eles disseram: Segundo a mulher do marqueteiro João Santana, Mônica Moura, a Odebrecht pagou R$ 4 milhões em dinheiro para a campanha de Dilma em 2014, não registrados nas contas oficiais de campanha. O valor correspoderia à parte dos R$ 10 milhões que o casal recebeu fora da contabilidade oficial, após indicação de Guido Mantega, que, segundo ela, intermediou pagamento de caixa 2.

O que ele disse: O coordenador jurídico da campanha de Dilma Rousseff, Flávio Caetano, negou ter havido caixa 2 na campanha pela reeleição da presidente e também que Mantega tenha solicitado a empresários valores para campanha.

O advogado afirmou que os pagamentos feitos e declarados às empresas do casal Santana totalizam quase R$ 70 milhões e foram “em decorrência dos serviços profissionais prestados à campanha eleitoral Dilma/Temer”. Para ele, “este valor, por si só, demonstra que o pagamento feito ao publicitário se deu de forma legal e transparente”. Segundo ele, pagamentos a prestadores de serviços foram determinados “exclusivamente” por Edinho Silva.

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DÍVIDAS DO PT

6) O que disseram: Em maio de 2016, Eike havia procurado a força-tarefa da Lava-Jato para prestar um depoimento voluntário e contou ter feito pagamento de US$ 2,35 milhões, a pedido do ex-ministro Guido Mantega, ao casal de marqueteiros do PT João Santana e Mônica Moura. O valor seria destinado a pagar dívidas do PT.

O que ele disse: “Eu fui preso e fui solto em seguida. Depois disso, nunca mais fui chamado.Eu não tinha a menor ideia do que se tratava. Sempre tive um relacionamento distante com o Eike. Estava cuidando da minha mulher [Eliane], que tem um câncer com metástase e faz todos os tratamentos possíveis”, disse à Folha.

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