Diante deste quadro tétrico, o melhor é embarcar na frieza da lei

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Por Claudia Wild

Mais um capítulo da triste história pouco republicana brasileira.

Levados pela avalanche de denúncias e delações premiadas assistimos agora o próprio chefe do Executivo dragado pela lama fétida da corrupção e dos conchavos envolvendo figurões e associados da República.

Antes desta ou daquela opinião acerca do caso, algumas considerações são relevantes para analisarmos a situação como um todo.

Deveras estranho que repentinamente uma delação de um criminoso nutrido pela republiqueta do eixo Brasília-Caracas-Havana, passe a ter fé pública. Até oito dias atrás, TODAS as delações eram dúbias e falaciosas. Mas, se ela envolve desafetos internos na quadrilha, ela passa a ter força de lei e torna-se, portanto, muito bem-vinda.

A imprensa em um passe de mágica deixou de ser “golpista” e passou a ter mais credibilidade do que os próprios delatores para narrar e aceitar uma gravação ( ainda desconhecida ), onde o presidente Temer teria dado aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha. Na trama, teria o senador Aécio Neves, pelo menos uma vez na vida mostrado algum ato de coragem – ainda que no campo errado, no campo do crime – e intermediara a maracutaia delituosa, em que receberia dinheiro de propina para fechar o bico de Cunha. O colaborador? __ Um ex-beneficiário da republiqueta lulista do BNDES, que embolsou fraudulentamente nada menos do que R$ 8,1 bilhões dos nossos impostos, a fim de produzir carne podre, encher os bolsos dos partidos e políticos de dinheiro e de quebra matar a concorrência no ramo.

Os fatos são gravíssimos e precisam ser esclarecidos e devidamente julgados pela autoridade competente, e, não por um Congresso nauseabundo envolvido em quase na sua totalidade no conhecido esquema que saqueou os cofres do país e participou do mega-projeto de poder da esquerda nacional. O presidente Temer foi citado como participante da estratagema, assim como os ex-presidentes Lula e Dilma, inúmeras vezes também foram ( inclusive por ex-colegas de agremiação ). A narrativa antiga a este caso específico, era de que delatores inventam fatos para prejudicar certos coitadinhos políticos. Obviamente, que este entendimento não vale para Michel Temer, que segundo a esquerda nacional, já foi julgado e declarado culpado em poucas horas. Assim, isto seria uma prova da robustez da nossa democracia – e não um ataque a ela – como era dito quando lhes era conveniente.

Noutra feita, me recordo que petistas & afins sempre condenaram e condenam que seus amados e imaculados presidentes ( vulgos santos do pau oco) sejam grampeados pela justiça. Todavia, mais uma vez, em outro milagre, a prática se tornou absolutamente legal, moral e desejável, já que no caso em tela caira no grampo um desafeto político.

Eis que em um outro passe de mágica, sumiram todos os golpistas ( aqueles que não aceitam pobre andar de avião, que a empregada use o mesmo perfume da patroa, ou que o pai dos pobres tenha chegado ao cargo máximo do país) e surgiram os benfeitores da nação! Pessoas da mais alta credibilidade, gente que em menos de quatro horas depois de anunciado o caso, já tinha na manga uma petição do impeachment contra Temer. Fazendo assim, que brotasse do nada o patriotismo benfeitor! Como são eficientes nossos deputados e senadores! Como são zelosos nossos políticos, que não aceitam a corrupção como forma de governo. Seria ótimo se fosse verdade! Entretanto, não se pode escolher seletivamente o lado.

Prematuro e pouco inteligente embarcarmos no “Fora Temer“ juntamente com nossos virtuosos morais da esquerda. O desgaste institucional com a crise será inevitável, mas não maior do que as consequências de nos enfiarem um Lula da vida goela abaixo, e, tudo de forma legal, transparente, a bem da República e sua moralidade; como se isso fosse possível no atual cenário de contaminação generalizada.

Prematuro e inconsequente defendermos o afastamento imediato de Michel Temer, quando na verdade deveríamos pedir apenas pela apuração dos fatos e por TODOS os trâmites processuais – que podem inclusive – culminar com sua saída do cargo.

Prematuro e ingênuo achar que a esquerda brasileira está morta e que ela usa aleatoriamente seu jargão ; “é golpe“. Ela é mestra em nos passar a perna e virar o jogo a seu favor. Mais prematuro e inocente ainda, seria acreditar que existem mocinhos nesta estória: só há bandidos, sendo que uns são mais e outros menos perigosos.

Diante deste quadro tétrico, o melhor é embarcar no bom senso e na frieza da lei. No momento em que o Brasil precisa de reformas urgentes e que a economia de forma tímida ensaia deixar o calabouço no profundo iceberg islandês.

Que percorram os trâmites legais para provar o alegado. Não temos bandidos de estimação, ou somos seletivos no julgamentos das falcatruas do poder, mas que os métodos sejam idênticos para todas as partes. Se o bravateiro-mentiroso-corrupto do Lula mesmo após ser citado no Mensalão não renunciou ou foi pressionado a fazê-lo, se a inepta-corrupta-dissimulada da Dilma Rousseff jamais renunciou, mesmo depois de ser apanhada com a boca na botija e desmontar o país com seu agora sabido método Dilmês de governar, então, que o esperto-pascácio-fisiológico do Michel Temer possa também se valer da mesma prerrogativa.

O melhor a se exigir agora é a lei e não a política, pois esta nós já sabemos o que se trata, e aonde poderá nos levar: ao mais perigoso dos abismos. Diretas já é seu passaporte e quiçá sua passagem carimbada.

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