Fim da equipe exclusiva que investiga corrupção na Petrobrás é vista como desmonte da Lava Jato

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A Polícia Federal extinguiu nesta quinta-feira, 6, o Grupo de Trabalho da Operação Lava Jato, criado em Curitiba em 2014 para atuar exclusivamente nas investigações do mega esquema de cartel e corrupção, descoberto na Petrobrás. A força-tarefa do Ministério Público Federal pediu a revisão da medida.

A decisão foi recebida por investigadores ouvidos pela reportagem como parte de um “desmonte” da Lava Jato, orquestrado pelo governo, para enfraquecer as investigações. Desde o início do ano, a equipe enfrenta redução do número de delegados – de 9 para 4 – e corte de um terço do orçamento.

A Polícia Federal comunicou oficialmente na tarde de ontem que o grupo de trabalho da Lava Jato e o grupo da Operação Carne Fraca – que apura corrupção no Ministério da Agricultura -, agora passam a integrar a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor).

Na prática, delegados e outros policiais da Lava Jato perderam exclusividade para o caso e passarão a atuar em outros inquéritos, paralelamente. São cerca de 100 inquéritos ainda abertos nas apurações do escândalo Petrobrás, entre eles as apurações do ex-ministro Antonio Palocci e os abertos à partir das delações da Odebrecht.

Um dos casos em andamento em Curitiba, ainda sob sigilo, é o que apura corrupção na Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e pode atingir a ex-presidente Dilma Rousseff.

Inquéritos da Lava Jato tamnbém serão distribuídos para outros delegados da Delecor, que tem 16 delegados.

Operacional. Em nota oficial, a PF nega que a Lava Jato esteja em processo de desmonte. A corporação afirma que a fusão dos elencos da Lava Jato e da Carne Fraca visa “priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário”. O texto destaca que a medida “permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações”.

O chefe da Delegacia Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, delegado Igor Romário de Paula, e o superintendente da PF no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, informaram na tarde de ontem que a mudança foi uma “decisão de investigações”.

“Em nenhum momento o grupo da operação Lava Jato foi extinguido, pelo contrário, ele foi aumentado com a equação que está ocorrendo”, afirmou o superintendente. Serão 84 pessoas ao todo na equipe da Delecor.

 

Fonte: Estadão Conteúdo

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