Reinaldo Azevedo e a falsidade como energia vital para atacar

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Por Elisa Robson*

A cada geração, poucas pessoas estão preparadas para ingressar na sociedade com a intenção de curar, reformar ou instruir. E as pessoas que se destacam nesse sentido levam consigo sempre marcas de provações, testes e ordálios e assim experimentam uma transformação de consciência.

Foi assim com Alexander Soljenitsyn. A sua transformação aparece na obra “Arquipélago Gulag”.  Gulag é o acrônimo formado pelas iniciais de palavras russas que significam Administração Central de Campos de Trabalho Corretivo, uma sequência de distintos campos (ilhas) espalhados pelo continente russo. Estima-se que entre 1928 e 1959, 66 milhões de presos morreram nesses campos. Apenas a coletivização forçada da terra implantada por Stalin, no início dos anos 1930, custou algo em torno de 9 a 12 milhões de vidas de camponeses russos e ucranianos, os quais morreram enquanto tentavam resistir ao confisco de suas propriedades agrícolas.

E como registro de suas experiências nos campos de prisioneiros, ele escreveu três maciços volumes.  A redação do texto começou quando Soljenitsyn cumpria uma pena de oito anos de trabalhos forçados nos Gulags por ter feito uma crítica a Stalin numa carta pessoal a um amigo. Lá, procurou organizar a história oral dos campos. A partir do relato de 227 testemunhas, juntamente com documentos e outras revelações fragmentadas, costurou o conjunto completo. No fim, passou a acreditar que os horrores não podiam ser considerados aberrações de Stalin: remontavam a Lênin e ao próprio sistema marxista.

Soljenitsyn declarou: “A ação honesta de um homem honesto e corajoso consiste em não compartilhar falsidade, não apoiar ações falsas!”. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1970.

De tudo o que podemos aprender com a história de Alexander Soljenitsyn, certamente o fato dele ter conscientizado o mundo quanto à falta de humanidade que presenciou no regime soviético foi uma das maiores lições.

Mas nem todos são capazes de aprender as grandes lições da humanidade. Nem conseguem reconhecer e reverenciar as pessoas que surgem para influenciar o mundo de forma positiva. E, nesse caso, usam das mesmas armas que Stalin usava e tão bem foi denunciado por Soljenitsyn: compartilham a falsidade.

Há tempos, o jornalista Reinaldo Azevedo se tornou um bom exemplo de quem compartilha falsidade, no sentido de que se aproxima da verdade apenas na aparência. Lembrando que  falsidade pode ser uma declaração que oculta ou tergiversa a realidade parcial ou totalmente.

Com muitos canais para veicular seu discurso, e cheio de afetação e pose, ele ataca as pessoas que se sobressaem pela luta em prol da justiça. Em sua tacanhice, dedica seus dias a fazer conexões estapafúrdias entre os acontecimentos e a fomentar frenéticas intrigas. Seus “valores” são claramente modelados pela mesquinhez.

Para todos nós que estamos enojados com classe política corrompida do nosso país, sabemos o valor das pessoas que se expõem e ingressam corajosamente na sociedade para mudá-la. Mesmo não sendo perfeitos, esses guerreiros continuam seguindo firmemente sua vocação para influenciar e transformar os rumos do nosso país.

Por isso, pessoas como o juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol merecem todo o reconhecimento e não os ataques incongruentes de Reinaldo Azevedo, um tipo de gente cuja excelência é apenas verniz e não fruto de sua responsabilidade.

 

*Elisa Robson é jornalista e editora da página República de Curitiba BR

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