Operação Anteros mira governador do RN, Robinson Faria (PSD), sogro de Patrícia Abravanel

 

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A Polícia Federal cumpre nesta terça (15) onze medidas judiciais, incluindo dois mandados de prisão, como parte de uma operação para investigar suspeitas de organização criminosa e obstrução da Justiça. Batizada de Operação Anteros, a ação envolve cerca de 70 policiais e mira o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD). Ele é pai do deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), casado com a apresentadora Patricia Abravanel, filha do empresário Silvio Santos.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a abertura de investigação preliminar para apurar a suposta prática criminosa por parte do governador com a participação de servidores estaduais, de acordo com a PF.

Patrícia Abravanel

Ontem, Patricia usou a sua conta na rede social Instagram para se posicionar publicamente pela primeira vez sobre o seu envolvimento no escândalo da JBS e reafirmou que irá processar Ricardo Saud, executivo do grupo empresarial, por danos morais. Na publicação, ela usa uma foto do boneco Pinóquio, que ficou célebre por ver o seu nariz crescer toda vez que mentia.

Em sua delação no acordo de colaboração premiada fechado com o Ministério Público Federal, Saud contou que ele e o empresário Joesley Batista, dono da JBS, acertaram em um jantar o pagamento de propina a Fábio Faria e ao pai do deputado, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD).

“Sim, eu estou processando Ricardo Saud da JBS por danos morais. Ele mentiu e ligou o meu nome e o da minha família a algo terrível como negociação de propina! Um absurdo! Quero aqui deixar claro que qualquer quantia ganha nessa ação será doada. Só não poderia deixar uma calúnia dessas passar em branco”, escreveu no Instagram.

A acusação feita por Saud também foi contestada por Ticiana Villas Boas, também apresentadora e mulher de Joesley. Ela enviou um áudio a Patricia no qual classifica o relato do executivo como “loucura total”. “Então, o que eu quero falar é que eu acho um absurdo isso tudo que está acontecendo. Aquele jantar, imagina só, não tem nada a ver. Foi um jantar normal, eu não vi nada de dinheiro, de nada que beirasse ser ilícito”, disse. O áudio será usado na ação que Patrícia move contra Saud.

Em seu depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), Saud disse que “foi um jantar muito elegante, até”. “Foi o Fábio Faria com a noiva, dele, a Patricia Abravanel, filha do Silvio Santos, foi o Robinson Faria com a esposa dele, nós todos com as esposas, tal, pra tratar de propina. É até bacana né, todo mundo com as esposas ali junto.”

Segundo o delator, o jantar serviu ao acerto de 10 milhões de reais em propina ao governador e ao deputado federal, supostamente paga por meio de doações oficiais disfarçadas, dinheiro vivo e notas frias de escritórios de advocacia. O valor, de acordo com Saud, foi desembolsado em troca da ajuda de Robinson, caso fosse eleito, em concessões de água e esgoto no Rio Grande do Norte, do interesse do Grupo J&F, que controla a JBS.

Na ação, protocolada na Vara Cível de Pinheiros, na capital paulista, a defesa de Patricia diz que o jantar foi “um encontro social entre casais, com conversas informais”, classifica o depoimento do executivo como “calunioso” e alega que “no afã de tornar sua delação mais vistosa ou atraente por se tratar a autora de pessoa famosa, o réu envolve a Autora em situação que não lhe diz respeito”. Ainda de acordo com o pedido, a repercussão do depoimento do executivo causou “abalos psíquico e moral” a Patricia Abravanel e danos à imagem dela, “com repercussão negativa nas redes sociais, inclusive prejudicando seus negócios”.

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