STF a passos de tartaruga ,Juiz Sergio Moro a todo vapor – Veja a diferença

gilmar-e-moro

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta segunda-feira (28) os primeiros interrogatórios de políticos que são réus da Lava Jato, o juiz federal Sergio Moro, que conduz as investigações em primeira instância em Curitiba, já encerrou 33 casos. A Lava Jato chegou oficialmente ao STF em março de 2015, com a divulgação da primeira “lista de Janot” – a relação dos políticos com prerrogativa de foro citados nas delações de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa. De lá para cá se passaram dois anos e cinco meses e até agora o STF não encerrou nenhuma ação penal.

Enquanto isso, em Curitiba, a Lava Jato vai a todo vapor. A operação foi deflagrada pela Polícia Federal em março de 2014. Dois anos e cinco meses depois, Moro já havia proferido sentença em 20 dos processos que tramitavam em primeira instância. Atualmente, três anos e cinco meses depois da deflagração, são 33 sentenças prontas.

A primeira sentença de Moro na Lava Jato, que condenou o doleiro Carlos Habib Chater e inocentou Alberto Youssef da acusação de tráfico de drogas, saiu sete meses e quatro dias depois de deflagrada a primeira fase da operação, em 17 de março. O caso dos empreiteiros também teve um desfecho rápido. Os executivos foram presos no dia 14 de novembro de 2014 e denunciados pelo MPF menos de um mês depois. A primeira sentença foi proferida sete meses depois e a última, um ano mais tarde.

Já em Brasília, o ritmo é mais lento. Atualmente, há apenas seis ações penais envolvendo réus da Lava Jato em andamento no STF. As mais adiantadas são as que envolvem a senadora Gleisi Hoffmann (PT) e o deputado federal Nelson Meurer (PP). Mesmo assim, estão longe de chegar a um desfecho.

Nesta segunda-feira (28), Gleisi e o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, serão interrogados em um processo e Meurer em outro. Depois desta fase de interrogatório dos réus, o ministro Edson Fachin ainda precisa abrir prazo para que as partes possam solicitar novas diligências, se acharem necessário. Depois, abre-se o prazo para alegações finais e só com as alegações em mãos Fachin elabora seu relatório e encaminha para o revisor, o ministro Celso de Mello, que pede que o caso seja pautado na 2.ª Turma do STF.

 

O procurador-geral da República Rodrigo Janot, que comandou as primeiras investigações de políticos na Lava Jato, teve dois mandatos à frente da Procuradoria Geral da República e mesmo assim não verá o desfecho dos casos no STF antes de deixar o cargo, em setembro do deste ano.

Ele assumiu o cargo pela primeira vez em setembro de 2013 e foi reconduzido ao cargo em setembro de 2015. Janot foi responsável por enviar ao Supremo duas levas de pedidos de investigação de políticos na Lava Jato. A primeira foi em março de 2015, com base nas delações de Costa e Youssef, e a segunda março desse ano, com base nas delações de executivos da Odebrecht. Com a saída de Janot do cargo, a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, vai herdar os processos em curso no STF.

Participe da discussão

1 comentário

Deixe um comentário
%d blogueiros gostam disto: