Lula vira “circo man” para enganar o respeitável público em suas viagens

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Coluna de Elisa Robson*

Ao redor de uma grande área de chão batido, o público se aglomera para ver o espetáculo. Há carros alinhados, palco, lona, gente de fora. E é assim que cidades pequenas, sempre carentes de atrações, recebem os circos itinerantes.

Historiadores registram que final do século XIX, o interior do Brasil já recebia artistas para divertir a população. Eram os saltimbancos que montavam suas tendas e apresentavam shows de truques, palhaços e teatro de bonecos. As apresentações eram adaptadas conforme o gosto da população local e, se algum número não agradava, era retirado da programação.

A chegada de trupes nas comunidades carentes sempre agregou fortes emoções, desde a descontração dos palhaços até a tensão das acrobacias. Arte e transformação social podem ser ingredientes encontrados nos picadeiros dessa gente dedicada que, entre muitos saltos e cambalhotas, se esforça noite após noite para colecionar aplausos.

Entreter o público, neste sentido, deveria permanecer no universo circense, e jamais ser usado na política. Não obstante, no Brasil, políticos populistas se inspiram em performances como a do palhaço cômico, engraçado e falante para encantar a população humilde de cidades pobres.

E como eles fazem isto?

Usam um dos principais elementos da linguagem circense em sua oratória: o ilusionismo.

Eles se utilizam facilmente de bodes expiatórios para explicar as dificuldades nas quais o povo está mergulhado, ao mesmo tempo em que se apresentam à população como os salvadores da pátria. Estimulam uma mobilização social em prol de si e incitam os sentimentos dos eleitores, com suas “acrobacias e palhaçadas”, recorrendo frequentemente a uma retórica que apela à luta de classes. Mas, sobretudo, para angariar a aprovação dessas pessoas, exploram a sua desinformação.

O político populista se especializa em discursar para os que têm uma renda baixa, ao passo que, paradoxalmente, ele e a elite que controlam o partido dominante nunca explicam a fonte da milionária renda do seu líder.

O caso mais emblemático que temos hoje, e que ilustra este cenário, é o de Lula, há mais de 15 dias, viajando em plena campanha eleitoral (embora isso seja contra lei). Em sua caravana por regiões miseráveis ele (ousa) falar da relação com a Venezuela, da (falsa) democratização dos meios de comunicação, disse não estar pensando em Lava Jato agora e deixa claro que está bastante satisfeito com a “cobertura internacional” e a realizada por outros veículos de comunicação alternativos que o acompanham.

Lula sabe como é fácil reunir a população de uma cidade pequena em volta do coreto e fazer a alegria do pipoqueiro se tiver a atração certa. E sabe também que com os holofotes acesos, um pouco de malabarismo, contorcionismo e equilibrismo, a ilusão fica bem mais interessante para vender.

Foi por isso que ele declarou:

“A caravana foi feita para conversar com a população e lideranças locais. Para ver o que mudou no Nordeste, nos governos do PT, e os retrocessos no atual governo”.

Ou seja, não há menção sobre temas como combate à corrupção, honestidade, ética, resgate de valores e princípios. Assuntos que realmente promovem a construção de uma nação, de um povo, de uma cidade e trazem a prosperidade local permanente. E não apenas a manutenção da pobreza.

Lula tenta iludir, no pior sentido. Além de, infelizmente, ser incapaz de aprender com os artistas de circo o mais importante: o significado da expressão “respeitável público”.

*Elisa Robson é jornalista e administradora da página República de Curitiba BR

 

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