Bretas sobre corrupção na Olimpíada de 2016: “Passa a falsa mensagem de que o Brasil é incapaz de alcançar conquistas legítimas”

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O pagamento de propina a eleitores do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que escolhessem o Rio como sede da Olimpíada de 2016, se confirmado, é de “gravidade muito superior ao que tem sido apurado na vasta série de investigações” da Lava Jato no Rio. A análise é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pelos casos da força-tarefa no Estado.

A decisão foi publicada na segunda-feira (3) e a operação, deflagrada nesta terça (4). Foram determinadas as prisões preventivas do empresário Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, o “Rei Arthur”, e de sua sócia, Eliane Pereira Cavalcante – presa em Laranjeiras pela manhã. “Rei Arthur” ainda é procurado.

O documento também intima Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, a prestar depoimento. Ex-presidente do Comitê Rio 2016, ele é suspeito de fazer os contatos para o pagamento de vantagem indevida.

De acordo com a decisão, em dívida com o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), Arthur teria pago a propina a, ao menos, um membro africano do COI. O empresário, diz Bretas, tem negócios de R$ 3 bilhões com o Estado e, com o pagamento, poderia ganhar novos contratos.

Para ele, a confirmação das suspeitas espalharia pelo mundo a imagem do brasileiro como aquele que só consegue vitórias por meio de atos corruptos. No texto, Bretas deixa claro que discorda desta interpretação.

“Teria o potencial de transmitir mundialmente a mensagem de que o povo brasileiro é incapaz de alcançar conquistas legítimas, baseadas na qualidade de seu povo, suas habilidades pessoais e competências gerenciais. A imagem do Brasil como um país em que conquistas negociais, artísticas e atléticas só são alcançadas por atos de corrupção é, além de falsa, um dano de grande monta a merecer rigorosa atuação do Poder Judiciário Nacional”, afirma.

O Comitê Olímpico Internacional informou que soube dos fatos pela imprensa e que está fazendo todo o esforço para ter todas as informações. “É do maior interesse do COI esclarecer esse assunto”, diz a nota.

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