Conheça história de Joesley e Ticiana: figuras centrais em um dos maiores escândalos de corrupção

tici

Em 2012, com uma festança para 1.500 convidados, a apresentadora Ticiana Villas Boas se casou com o empresário Joesley Batista, dono da então maior empresa de processamento de proteína animal do mundo, o grupo JBS Friboi, que, só no ano do casório, faturou R$ 55 bilhões.

Hoje, o empresário é figura central do escândalo que abalou a Presidência da República e colocou o presidente Michel Temer sob investigação.  Mas também está no centro das atenções por causa de diálogos divulgados entre ele e o seu braço-direito Ricardo Saud.

Nos trechos disponíveis à imprensa, o dono do grupo JBS fala em tom de brincadeira com seu Saud da dificuldade que teria para contar à esposa, a jornalista Ticiana Villas Boas, que havia assinado delação premiada e estava por trás do esquema de corrupção investigado na Lava Jato.

“Eu estou aqui pensando, a Tici, que é uma mulher inteligente… Você já imaginou quando eu tiver que contar as minhas traquinagens, tipo dez minutos antes de sair no programa Jornal Nacional, da TV Globo. Vou ter que chamar e falar ‘Amor, vão falar um negócio aí no Jornal Nacional’.

Joesley prossegue: “Já tenho a estratégia pronta. No dia, de manhã cedo, vou acordar e já vou dizer: ‘Quero me separar’. Vamos passar o dia em crise. ‘Eu não te mereço, não sou o homem certo’, e por aí vai. Depois que ela jurar que me ama, eu falo: ‘É que hoje a noite o William Bonner vai dar uma notícia’.”

Quando Joesley e Ticiana se conheceram, em 2011, a jornalista mediava um simpósio de economia do qual ele, o todo-poderoso da carne, participava. Joesley se encantou com a baiana, sem saber quem era ela.

Durante o evento, o rico empresário deu um jeito de se aproximar de Ticiana. “Ele não tinha a menor ideia de que ela era uma jornalista já famosa. Joesley não assistia à TV, passou a ver depois dela. Toda noite ligava o aparelho do escritório para ouvi-la”, conta um amigo do casal.

Até conquistar a apresentadora do telejornalismo da Band na época, Joesley se comportou como um lorde, apesar do jeito caipirão. Do tal simpósio saiu com o e-mail da futura mulher. O papo engrenou, e quando ela estava de férias com a prima no Peru, Joesley a fez largar tudo e voar para a Itália, onde o primeiro beijo aconteceu.

Veja agora  outros detalhes desta história, conforme reportagem publicada no site glamurama.uol.com.br, em agosto de 2013.

“Até perto do casamento, Ticiana conta rindo que nem sabia direito quem era Karl Lagerfeld, o lendário estilista da Maison Chanel que assinou seu vestido de noiva. A indicação foi de Cicila Street, buyer da marca para o Brasil. “O [arquiteto] Edo [Rocha], namorado da Cicila, é amigo do Joesley. Quando contei a ela que não tinha pensado ainda no vestido, a Cicila disse na hora que ia ser Chanel. Fomos com eles assistir ao desfile outono-inverno [no Grand Palais] e o conheci [Lagerfeld].” Tici ainda teve de ir a Paris três vezes para provar o vestido, sempre no jatinho particular do marido.

Muito noticiada pela mídia de celebridades, a festança levou os maledicentes a concluir precipitadamente que se tratava do casamento de uma apresentadora arrivista com um empresário milionário. Como será que ela reage a esses comentários? “Não tenho problema com isso porque venho de duas famílias muito tradicionais da Bahia”, diz, sem prestar muita atenção. Ticiana é Tanajura da parte da mãe, que é engenheira; e Villas Boas do pai, advogado, ambos funcionários da Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. (Embasa), estatal “que é a Sabesp de lá”. Conta que seus pais estudaram com baianos enriquecidos como o empresário Daniel Dantas e os publicitários Duda Mendonça e Nizan Guanaes. Seus avós eram íntimos de Antônio Carlos Magalhães.

Ticiana cresceu em um condomínio de classe média na praia de Piatã, a cerca de 20 quilômetros de Salvador, estudou em colégio de freiras e se formou em comunicação na federal da Bahia. “Nunca li jornal. No máximo, Caderno 2. Fiz comunicação para saber o que era. Meu pai queria direito, para eu ficar com o escritório dele, e prestei para agradá-lo, mas não me atraía. Como passei para comunicação na federal, era uma boa desculpa para não fazer direito numa particular”, conta. Na infância, ela sonhava ser bailarina. Gostava da “área cultural” e vivia “com o povo de teatro”, Vladimir Brichta, Wagner Moura, Lázaro Ramos.

NOTÍCIA BOA

Ótima aluna, ela lembra que sempre a selecionavam em um concurso de crônicas e poemas promovido pela escola. Isso foi um ponto a favor do jornalismo. Ainda na universidade, começou a estagiar na TV Cultura local, onde fez de tudo: produção, edição, até roteiro de radio novela. E então, bingo, quando a apresentadora de um telejornal da emissora tirou férias, ela entrou para substituí-la. Em um mês, foi chamada pela Band da Bahia. Passou um ano padecendo na rua, “cobrindo alagamento, buraco, pega ladrão”,  e, de vez em quando, entrava no noticiário nacional. Numa dessas, agradou a chefia em São Paulo. Mandaram sondá-la, ela não pestanejou, transferiu-se. Tornou-se uma repórter de pautas criativas, produziu matérias saborosas de comportamento e também documentários. Um dia, Mariana Ferrão, a apresentadora híbrida de  garota do tempo no Jornal da Band, foi convidada para ir para a Globo.

Ticiana não tinha indicação para ocupar a vaga, uma das mais disputadas por jornalistas de TV. Não que ela não merecesse. O problema é que ia muito bem como repórter. O próprio Ricardo Boechat lembra que votou contra: “Ela sempre foi o nosso melhor quadro para um grande universo de reportagens, tinha talento, espontaneidade. Não fazia sentido tirá-la dali”, diz.  Além disso, Boechat era a favor de se investir em uma editoria de meteorologia, como já se faz com política, economia, geral. “O ideal seria colocar no lugar da Mariana alguém que, como ela, fosse um especialista no assunto. O tempo é algo que tem interferência dramática na vida da população, e, mesmo assim, aqui no Brasil as pessoas só o  consultam para saber se vai dar praia no fim de semana.” Na disputa por Ticiana Villas Boas, ganhou a bancada. E Boechat não lamenta. “Ela se preparou, investiu, e possui qualidades notáveis. É charmosa, tem presença de vídeo, deu certíssimo.”

 

ESFORÇO PARA APARECER

Por sua vez, Joesley Batista detesta aparecer. “Se ele faz o esforço de sair em alguma foto comigo é porque eu tenho uma carreira pública e preciso estar na mídia. Mas longe dele querer formar um casal margarina.” Para demonstrar o temperamento recluso do marido, ela pergunta: “Você já sabia quem era Joesley Batista antes do nosso casamento?”. Não. Nem ela. Os dois se conheceram em abril de 2012, durante um seminário de economia em São Paulo. Ticiana era mediadora.  Nos intervalos, para não ser importunada enquanto estudava para o ciclos de palestras, ela colocou a bolsa na cadeira ao lado. Não adiantou muito. “Joesley nem pediu para tirar a bolsa da cadeira: simplesmente a afastou e se sentou”, lembra. O empresário foi insistente. Tici acabou fornecendo seu e-mail profissional. O primeiro beijo aconteceu quatro meses depois. A partir daí, as coisas caminharam relativamente rápido. Até o casamento com festa, em outubro, eles celebraram sua união outras duas vezes. A primeira “cerimônia” foi no Taj Mahal, na Índia, quando Wesley, irmão de Joesley, fez um pequeno discurso; a segunda foi em Bora Bora, no Taiti.  “Viajamos só com a família dele e, na volta, achei injusto com meus pais, irmãos e amigos. Por isso, fiz a cerimônia oficial. Joesley pediu minha mão em um jantar com meus pais e participou até do curso de noivos!”, conta ela. Tici prefere não falar de seu casamento anterior, que durou seis meses.

 

GUERREIRA DE RÍMEL 

“Estou com 2 quilos a mais e queria que você me afinasse um pouco aqui”, diz ela ao maquiador, apontando para a bochecha. Ticiana mede 1,63 metro e tem 52 quilos, corpo em dia, sorriso encantador, ou seja, só ela vê o excesso de peso no rosto.  “Cuido do cabelo e da pele, e não saio de casa sem rímel”, conta. Tudo isso é novidade, segundo sua melhor amiga, a produtora gaúcha Bruna Estivalet. “A Tici sempre foi muito guerreira, mas desligada com a aparência. Nunca soube marca de roupa, usava o mesmo tênis sempre. Nem ia à manicure.” As duas se conheceram na Band, recém-chegadas em São Paulo, e se tornaram muito amigas. Uma foi madrinha de casamento da outra. “Até hoje, a Tici me manda fotos dos looks para saber se ficou bom”, diverte-se Bruna.

A entrevista para J.P foi no casarão em que Joesley e Ticiana passaram a viver depois do casamento, no Jardim Europa, em São Paulo. Eles entregaram o projeto de decoração a João Armentano. “Existe uma integração muito grande entre interno e externo”, diz o arquiteto.  Logo na entrada, depois de passar por um espelho d’água iluminado por LEDs, o visitante ingressa em uma sala com 7  metros de pé-direito, envidraçada de alto a baixo. Ali, na mesa de centro, há livros de capa dura com títulos como The World’s Finest Charter Yachts e Images of Australia.

Além de uma edição com a obra completa de Vik Muniz, há quadros dele pendurados nos paredões. Mas o maior de todos, retratando um arranjo de tulipas gigantes, é de Luzia Simons. No living, que dá para a raia de 25 metros, chama a atenção uma luminária muito grande, que verga arredondada sobre um poltronão. Em uma mesa ali perto, repousa um exemplar de How to Raise a Gentleman, próximo a uma caixa de charutos cubanos Cohiba. A assessora de Ticiana embarca com a equipe no elevador, para mostrar o quarto do casal e, mais acima, o solarium com vista para a vizinhança.

Sempre muito divertida, Ticiana explica como foi que seu casamento acabou virando um megaevento. Diz que usou o raciocínio do “já que”: “Pensei o seguinte: já que a gente ia se casar na igreja, tinha de ser numa bem tradicional. Já que era na Nossa Senhora do Brasil, que tem 500 lugares, por que não usar um vestido à altura? E já que eu ia usar um Chanel, por que não fazer uma festa legal? Já que a festa ia ser legal, por que não chamar alguém bacana para fazer um show? Já que ia ter Bruno & Marrone, por que não chamar alguém da Bahia? Por que não chamar Ivete Sangalo? Já que…”. Ao fim da sessão de fotos, o “já que” continua. Na hora do clique à mesa do almoço, Ticiana chama Marcos Laurentino e diz: “Marquinhos, troca esse champanhe do balde. Põe um Cristal. Já que é para sair na foto, melhor que seja um bom, né?”.    

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