O filme sobre a Lava Jato e sua espetacular mensagem aos brasileiros

 

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Por Elisa Robson*

De todas as coisas que podemos buscar para analisar uma obra do cinema, seja o seu roteiro, as atuações, o figurino, os objetos em cena, a música, nada pode ser mais importante do que o valor interior que excede os aspectos exteriores da narrativa. O que torna o filme Polícia Federal – A Lei é Para Todos essencial não é apenas o fato de que aborda três pontos-chave da história da Operação Lava Jato (o seu início, a trama na Petrobras e o envolvimento de Lula). Mas ter conseguido ser mais na totalidade do que na simples soma de suas partes (que incluiria o trabalho praticamente hercúleo de ter que explicar as diversas fases da investigação em uma história de menos de duas horas).

O que transparece naturalmente através do tecido da obra é um valor chamado persistência. O filme mostra como, desde o começo, a Operação Lava Jato dependeu da persistência e da garra de pessoas comuns, mas conscientes da sua responsabilidade. De como, o tempo todo, houve uma linha tênue que separava a possibilidade de continuar ou não a arriscada investigação sobre o maior esquema de corrupção da história do nosso país. São policiais, procuradores e um juiz que tomaram as decisões certas, na hora certa e lutaram bravamente em uma guerra de tensão para enfrentar as forças dos poderosos mandatários do Brasil, incluindo políticos do alto clero, bilionários do setor da construção civil e a Suprema Corte.

O brasileiro que assistir o primeiro filme sobre a Lava Jato (que está previsto para ser uma trilogia) vai perceber que ingredientes como a determinação e busca pela verdade de corajosos agentes policiais move a história de forma especial e lhe infunde valor e significado, elevando a obra acima das expressões comuns do gênero.

Não se encontra no longa uma simples argumentação para intelectuais, mas uma poderosa e convincente proposição para todos nós. Colocada na menor cápsula possível, a proposição, ao meu entender, diz o seguinte: o combate à corrupção é possível, não importa o quanto o inimigo é grande e influente. Sei que essa ideia não é nova. Mas o filme mostra como ela é revolucionária.

O ponto alto da história é a parte em que mostra a decisão do juiz Sergio Moro de liberar o áudio da conversa em que Dilma avisa Lula que mandaria um termo de posse para nomeá-lo como ministro da Casa Civil e ajudá-lo a fugir da polícia. Não há dúvida de que esta decisão mudou o rumo das coisas e garantiu a continuidade das investigações da Lava Jato, bem como o processo de libertação do Brasil que segue até hoje.

Por fim, a espetacular mensagem é a de que a nossa liberdade implica em responsabilidade. De que lutarmos contra corrupção no nível mais alto, com excelência, é buscar, capturar e abraçar três verdades: persistência, determinação e coragem.

*Elisa Robson é jornalista e administradora da página República de Curitiba BR.

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