Diretor do Inst. Presbiteriano Mackenzie envia carta a presidente do Santander sobre exposição ofensiva

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Por Jônatas Lima *

Ao se manifestar publicamente sobre um caso que, embora escandaloso, ocorreu em outro estado e não tem relação direta com seu campo de atuação. Certamente foi esse o raciocínio dos dirigentes de milhares de instituições “moralmente relevantes” que escolheram não dar um pio sobre toda aquela bizarrice. A espontaneidade da manifestação do presidente do Instituto Mackenzie, portanto, torna o ato

muito mais honrado.Em segundo lugar, por que ela é direcionada ao presidente do Santander. Não é mera ação de marketing trabalhada em redes sociais para acompanhar a maioria revoltada. É um ato que pretende resultado, pois mira em quem tem mais poder dentro daquele que agora é o banco com a pior fama no país.

E terceiro, por que é tremendamente bem escrita, elegante e firme. Traz argumentos sólidos e é dotada de uma clareza invejável.

Todas essas qualidades ficam muito mais evidentes quando se compara com a insossa e confusa nota emitida pela arquidiocese de Porto Alegre. A Igreja Católica, que foi a instituição mais violentada naquela exposição, foi muito mal representada pela arquidiocese da cidade onde ocorreu aquele escárnio. No site da instituição, o texto é sequer assinado pelo arcebispo local, dom Jaime Spengler, e, ao invés de manifestar repúdio, preferiu manifestar “estranheza”.

Parece que para o episcopado da capital gaúcha, hóstias pichadas com as palavras “vagina”, “vulva”, entre outras de mesma conotação, merecem “estranheza”, não repúdio. O mesmo vale para referências à Nossa Senhora com um macaco no colo, ou para uma imagem de Jesus com muitas opções de braços postiços, sendo alguns deles afeminados. A pintura da criança com os dizeres “Criança viada travesti da lambada” ou a que exibia uma dupla fazendo sexo com uma cabra também, não mereciam repúdio. Só “estranheza”.

1. Nota da Arquidiocese de Porto Alegre sobre exposição no Santander Cultural

A comunidade de fé na Arquidiocese de Porto Alegre manifesta sua estranheza diante da promoção da exposição realizada junto ao Santander Cultural, na capital gaúcha, que utiliza de forma desrespeitosa símbolos, elementos e imagens, caricaturando a fé católica e a concepção de moral que enleva o corpo humano e a sexualidade como dom de Deus.

É urgente combater o preconceito e a discriminação em todas as suas manifestações. Nesse sentido, em nome da pluralidade e do respeito às minorias, temos assistido ataques discriminatórios à cultura judaico-cristã que contribuiu na formação cultural do ocidente. Eliminar as dificuldades jamais pode significar desrespeitar o outro e suas crenças, especialmente porque, ao se tratar do imaginário simbólico da fé, entra-se num campo delicado de significados e sentidos que a ninguém é dado o direito de desprezar. Em tempos de terrorismo e intolerância, não se constroem pontes com agressão e desrespeito pelo o que é mais íntimo e sagrado no outro: sua fé e seu corpo.

Continuemos trabalhando por um humanismo solidário com uma atitude de paz que não precisa agredir e ofender quem tem pensamento diferente. São Francisco de Assis, medieval e cristão que continua a iluminar a contemporaneidade, ensina-nos a ver o outro como irmão e nos faça a todos instrumentos de paz!

Porto Alegre, 11 de setembro de 2017
Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre

Agora a que merece toda a nossa admiração:

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*Jônatas Lima é editor do Blog da Vida, do jornal Gazeta do Povo

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