Analistas avaliam que Dodge vai ser mais firme e sóbria em apoio à Lava Jato do que Janot

 

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Citando um discurso do papa Francisco sobre corrupção, a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, de 56 anos, assumiu na manhã desta segunda-feira (18) o cargo deixado por Rodrigo Janot. Ela é a primeira mulher no posto, em toda a história do Brasil. “Peço a proteção de Deus para que, nos momentos em que eu for colocada à prova, não hesite”, afirmou Dodge, focando seu pronunciamento em dois pontos: coragem e combate à corrupção.

Na bolsa de apostas sobre o futuro da Lava Jato, quem teve contato com o trabalho de Raquel Dodge acredita que ela tende a ser mais firme na redação dos pedidos levados aos tribunais superiores, sobretudo relacionados à Lava Jato. Ela também deve dosar adjetivos na escrita e na fala. Janot não era afeito a entrevistas, porém gostava de frases de efeito em palestras, como “enquanto houver bambu, lá vai flecha”.

“Conheço Janot e Raquel. Os dois são rigorosos, mas cada um ao seu estilo. Janot não retrocedeu com a Lava Jato quando ela [a operação] chegou à classe política. Raquel tem o desafio de manter o trabalho”, analisa o ministro aposentado do STJ Fernando Gonçalves.

Advogados e magistrados que acompanham a Lava Jato ou conhecem o trabalho desenvolvido por Raquel Dodge desde 1987 no Ministério Público Federal (MPF) acreditam que, nos próximos dois anos de gestão, a nova procuradora-geral deve ser dura ao negociar delações e ter postura mais discreta na comparação com Janot.

Aliados de Raquel citam o acordo de delação de Joesley e do executivo Ricardo Saud – cuja rescisão foi pedida por Janot ao STF – como motivo para ampliar o rigor e a paciência nas negociações com novos colaboradores.

Nos bastidores, Dodge é vista como uma pessoa reservada, a qual, diferentemente de Janot, pode não assumir o protagonismo na condução da Operação Lava Jato – encargo que poderá ficar com o procurador José Alfredo de Paula Silva.

À frente do MPF, Raquel Dodge terá influência mais direta nos casos derivados da Lava Jato que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), já que envolvem autoridades com o chamado foro privilegiado, como governadores, deputados federais, senadores e o presidente da República.

Mestre em Direito pela Universidade de Harvard e no MPF desde 1987, a procuradora terá de se equilibrar entre as pressões de Brasília e os grandes casos de corrupção envolvendo políticos.

 

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