Quem são os jovens conservadores brasileiros e porque eles deixam a velha imprensa tão assustada

 

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Por Elisa Robson*

De repente, passamos a ler e a ouvir pessoas com discursos firmes contra os excessos cometidos por gente que se utiliza excessivamente da irreverência (se é que ela pode ser moderada) para atingir dogmas e crenças oficialmente aceitos. E o mais curioso: os principais porta-vozes, que passaram a se manifestar, se expor e a falar abertamente sobre quem está sendo licencioso, não são pessoas “velhas”, mas, ao contrário, bem jovens.

Eles estão na faixa entre 20-31 anos, e não têm nenhum constrangimento em se mostrarem indignados com quem falta com respeito a seus valores. Eles também se expressam sem uma única gota de medo de serem jogados nas fogueiras ideológicas para onde os mais velhos costumam empurrar quem pensa diferente.

Estão pagando um preço alto, claro. A velha imprensa, nascida antes do advento das redes sociais, os rotulou de forma de uníssona: “fascistas”.

Não colou. A opinião pública identificou claramente o que aconteceu, aprovou o discurso dos jovens e ignorou a esperneio da imprensa obsoleta.

Mas, como se formou esta geração?  Por que se tornaram tão interessados em resgatar valores típicos dos conservadores? O que aconteceu para que passassem a lutar contra o estado atual das coisas?

Bem, uma análise básica diria que o enfrentamento é uma característica natural dessa fase da vida. Uma análise um pouco mais aprofundada diria que a chegada do mundo digital no cotidiano de todos fez grandes diferenças, sobretudo se fizermos comparações com uma geração que praticamente nasceu imersa nessa realidade.

Porém, uma análise política também nos ajudaria a entender melhor como se deu a formação dos atuais conservadores.

Estamos falando de uma geração que cresceu durante a era socialista do PT e acompanhou, de uma forma ou de outra, mais de uma centena de crimes cometidos pelos seus governantes, conforme listou Augusto Franco. Vamos relembrar apenas os mais notórios, a partir dos últimos 13 anos.

  • Em 2004, os escândalos “Waldomiro-Dirceu” e ” GTech” emergiram como a ponta o iceberg. Com exceção de Dirceu ( e não por este crime) todos os envolvidos ficaram soltos.
  • Em 2005,  foram os casos: “Corrupção dos Correios”, Mensalão”, “Dólares na Cueca” e a República de Ribeirão”. Com exceção de Dirceu, Genoíno e Delúbio, todos os centenas de operadores do PT, além do chefe supremo, ficaram livres.
  • Em 2006, foi a vez do “Quebra do Sigilo do caseiro Francenildo” e os “Aloprados”. Todos os petistas que violaram a Constituição neste episódio permaneceram soltos para continuar cometendo crimes.
  • Em 2007, tivermos os sucessivos “Renangates”. Renan foi salvo do pior pelo PT e continuou livre para  voltar a delinquir.
  • Em 2008, vimos o “Escândalo dos cartões corporativos da Presidência”. Como sempre, nada se apurou.
  • Em 2009, o “Caso Lina Vieira”. Nada foi esclarecido.
  • Em 2010,  o “Caso Bancoop” e o “Caso Erenice”. Os responsáveis não apenas não foram punidos, como foram premiados com postos de direção no partido e no governo.
  • Em 2011 e 2012, escândalos envolvendo os Ministérios do Esporte, do Trabalho e da Pesca. Ficou tudo por isso mesmo.
  • Em 2013,  tivemos a “Máfia do ISS”.
  • Até que em 2014, finalmente, surgiu a Operação Lava Jato, de Curitiba. E com ela a revelação de que, há anos, na continuidade do “Mensalão”, o mesmo esquema de financiamento de partidos e atores políticos com dinheiro do crime (e com muito mais dinheiro) se manteve, agora com o “Petrolão”.

Portanto, não é de se admirar que após acompanhar, ano após ano, notícias sobre tão graves ataques à República uma nova consciência viesse se formar. O olhar dessa geração ficou apurado para detectar que a mentira era a forma de governo que estava estabelecida sobre eles. Que o tal partido que governava seu país há mais de uma década, praticamente o único que eles conheceram até 2016, havia abandonado completamente o apoio de milhões de brasileiros para traçar uma trajetória vergonhosa, confundindo as pessoas por meio de fraudes e mais fraudes.

O que esses jovens presenciaram, enquanto sua formação como cidadãos estava se desenvolvendo, foi uma escala crescente de corrupção por parte daqueles que tinham a obrigação de governá-los honestamente. O assalto à Petrobrás, o maior escândalo já registrado, tornou a marca PT, tão familiar para eles, simultaneamente, o partido mais corrupto da história.

Portanto, a atual rejeição desses jovens a tudo que remeta à ideologia da esquerda é muito compreensível. No seu horizonte, não há como conceber qualquer projeto para o Brasil que esteja ligado política, econômica ou culturalmente àquilo que eles conheceram até hoje: apenas um “projeto de nação” cuja meta foi apenas de usurpá-la.

*Elisa Robson é jornalista e editora da página República de Curitiba BR

 

 

 

 

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