No DF, materiais descartáveis são reutilizados, dizem servidores do Samu

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Discar o 192 e esperar um atendimento de emergência está cada vez mais difícil no Distrito Federal. O socorro pode até chegar, mas nem sempre os equipamentos necessários estarão funcionando por falta de um item básico: bateria. Além disso, alguns materiais que deveriam ser descartáveis estão sendo reutilizados nas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A denúncia é dos servidores do Samu. Segundo eles, o estoque de pás – adesivos de silicone que vão no peito do paciente com parada cardíaca ao levar descarga elétrica de desfibrilador – não é suficiente. O material, que deveria ser descartado após o uso, é reutilizado em mais de uma pessoa. Em imagens gravadas pelos atendentes, é possível ver até pêlos no adesivo.

Por nota, a Secretaria de Saúde disse que o fornecimento de pás está “normal”. Já as pilhas estão “em fase de aquisição”. A pasta não informou, porém, sobre as baterias.

As baterias e pilhas são utilizadas em equipamentos como o Autopulse, que substitui a massagem cardíaca manual feita por socorristas e pode ser vital em uma emergência. O glicosímetro, que serve para medir a taxa de açúcar no sangue, também não pode ser usado porque está sem pilhas.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate-DF), Jorge Viana, os servidores têm comprado pilhas e baterias para ajudar a repor o estoque e recebido doações dos usuários. Ele também diz que a pá infantil para o desfribilador está em falta há mais de um ano.

“A gente fica apreensivo em pegar uma parada cardiorrespiratória infantil porque não dá pra usar a pá de um adulto, o choque é maior. O jeito é fazer manualmente e tentar levar o mais rápido possível para o hospital. Já a pá de adultos, enquanto tiver gel a gente está usando. Reutilizamos mais de uma vez”, afirma Viana.

Falta combustível, de novo

Nesta segunda (18), algumas ambulâncias chegaram a ficar paradas em Samambaia. Ao tentar abastecer, aparecia a mensagem: “contrato de convênio está vencido, não foi iniciado.”

A Secretaria de Saúde confirmou que houve um problema no sistema dos postos credenciados que prejudicou o abastecimento da frota do Samu. Segundo a secretaria, “o serviço foi restabelecido no fim da manhã e nenhum paciente foi prejudicado”.

Os gastos com combustíveis na secretaria de saúde chegam a R$ 400 mil reais por mês. Nesse valor entra também o combustível das 65 ambulâncias do Samu, mas 17 delas estão quebradas ou em manutenção – o que representa 26% da frota.

Em outubro do ano passado, duas ambulâncias do Samu ficaram paradas por falta de combustível. A Secretaria de Saúde justificou na época que o motivo foi a falta de verba para pagar o fornecedor. A família do morador de Planaltina Antônio Paiva Filho diz que a demora no atendimento foi o que provocou a morte do aposentado.

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