Joesley Batista decidiu mandar uma carta ao ministro do STF Edson Fachin de próprio punho

Hoje completei 28 dias preso e amanhã dia 9/10/17, será o dia que meus advogados estarão protocolando no STF a defesa com o pedido que seja mantido o acordo de colaboração premiada que assinei com a Procuradoria Geral da República e que foi devidamente homologado por vossa senhora.

Senhor ministro, eu não sou advogado, mas como principal interessado no assunto passei os últimos dias lendo, e relendo,

1) O depoimento que fiz dia 7/9/17 na PGR,

2) O pedido de prisão feito dia 8/9/17 pela PGR

3) A sua decisão pela minha prisão no dia 09/9/17

4) a minha defesa para que a prisão não se convertesse em preventiva

5) A manifestação da PGR sobre minha defesa

6) A decisão a favor da conversão da minha prisão em preventiva

E hoje li e reli o que lhe foi apresentado pelos meus advogados como um esboço do que será amanhã protocolado no STF, como sendo minha defesa para a manutenção do acordo de colaboração premiada que assinei com a PGR. Daí resolvi escrever esta carta de próprio punho, completamente guiado por meu coração, e sem nenhum filtro. Que é o que segue:

Começando do fim para o começo:

Eu posso ter cometido erros, que desde já peço desculpas, mas jamais agi ou usei de má-fé com a PGR.

Eu jamais tive a intenção e não fiz anexos com informações escamoteadas, nunca escamoteei informações. Senhor ministro, posso sim ter me equivocado sobre o que era mais urgente, e o que poderia deixar para o dia 31/8/17

Considero injusto e desleal por parte da PGR se basear em notícias de jornal para fazer ilação de que entreguei as gravações Piaui3 por medo de terem sido recuperadas pela Polícia Federal. Afinal, os gravadores foram entregues por mim de boa-fé, portanto, não é correto por parte da PGR usar tal argumento. O que é líquido e certo é o documento que comprova que eu entreguei os áudios voluntariamente e de boa-fé no prazo e local adequado.

A PGR não age de boa-fé, quando diz que eu “ocultei áudios no exterior, em local que nem sequer declinou. Sr. Ministro, é de conhecimento público que tenho casa e empresas no exterior, e que passava parte relevante do meu tempo fora do Brasil. E por acaso os áudios se encontravam em minha casa nos EUA.

A PGR também não age de boa-fé, quando diz que o áudio foi entregue sob o título sem correlação com o conteúdo, afinal, senhor ministro, não resta dúvida de que toso os 5 áudios intitulados Piauí 1,2,3,4,5 são do mesmo dia e sequenciais. Afinal, para estar correto, qual seria o nome que a PGR gostaria que tivesse. Isso sim, senhor ministro, é a forma que a PGR usa para tentar confundir a realidade dos fatos.

E ainda senhor ministro, qual é o problema com os colaboradores “reconheceram que há informações e áudios não entregues”? O problema é que a PGR fez uma afirmação que não é verdadeira. Nunca falamos ter informações não entregues. E sim, eu disse ter áudios não entregues, e, sim, eu disse ter áudios não entregues, que não relatou crimes. Mas estão à disposição da PGR para ouvi-los, conforme me comprometi formalmente no dia 7/9/17

O desrespeito por parte da PGR ao contrato por ela assinada comigo é patente quando escrevem “estavam omitindo fatos a despeito da Ponta de Ouro” que lhes foi estendida com o acordo de colaboração”…

Afinal, sr Ministro, o benefício teve inúmeras provas de equivalente proporção, livremente negociado entre as partes.

Sobre o ex-procurador Marcelo Miller, sr Ministro, jamais paguei ou prometi pagar por serviços ilícitos para nos favorecer. Eu estou à disposição da Justiça para relatar exaustivamente tudo que tenho conhecimento sobre Marcelo Miller e como se deu seu relacionamento comigo e com a empresa.

Excelentíssimo ministro Edson Fachin, eu me propus a não somente fazer uma colaboração, mas, sim, me tornar um colaborador da Justiça para combater a corrupção e qualquer outro crime que eu venha a ter conhecimento. Ao decidir pela colaboração, rompi com inúmeros autoridades que continuam no poder. Confiei na boa-fé na PGR, delatei centenas de políticos, inclusive os maiores mandatários da República, que se tornaram meus inimigos, adversários que hoje não poupam esforços em me perseguir, e me retaliar, e hoje me vejo desamparado pela PGR, a qual com absoluta desproporcionalidade se volta contra mim. Que possa ter errado, me equivocado, mas jamais escamoteei informações agindo de má-fé.

Senhor ministro, quero ainda pedir desculpas, por horas de uma conversa que me envergonho profundamente. Eu quero continuar a colaborar com a Justiça. Este processo de se tornar um colaborador é um duro processo que requer uma profunda mudança em amplos aspectos. É um processo contínuo de aprendizagem, o qual me enquadro, e reitero que jamais agi de má-fé no meu relacionamento com a PGR.

É com serenidade e verdade, excelentíssimo ministro Edson Fachin, que lhe escrevo esta carta. Quero encerar lhe reafirmando que quero colaborar, não agi de má-fé, não escamoteei informações, não protegi pessoas, não usei de tráfico de influência junto a PGR, o que o áudio Piauí Ricardo 3, é uma conversa de dois amigos em ambiente privado, que sobre o efeito de bebidas alcoólicas jogam conversa fora, fazem brincadeiras e várias elucubrações. Por fim, gostaria de solicitar, caso seja necessário, a oportunidade por ser ouvido por este juízo para esclarecer quaisquer dúvidas ou questionamento.

Excelentíssimo, obrigado pela atenção.

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2 comentários

  1. Um dos maiores bandidos e criminosos lesa-pátria dos últimos tempos acha que vários pedidos de desculpas numa carta manuscrita podem redimi-lo por lesar 200 milhões de brasileiros??? É certo que a justiça brasileira, com suas “leis” cheias de brechas e regras com múltiplas excessões, vai abrandar qualquer pena que possa receber, mas é inacreditável esse tempo em que vivemos! Triste povo perdido ‘na’ e ‘por causa da’ corrupção…

  2. O empresário foi desonesto , porém, o mais desonesto e sem vergonha, são os canalhas que estão autoridades, pois sabem que nenhum político enriquece com o salário e mordomias que tem.

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