Dilma diz a Moro que interesse na Odebrecht não era por dinheiro

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) disse, em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, por videoconferência, que o governo tinha interesse no grupo Odebrecht não em função de doação para campanhas políticas, mas pela importância de suas empresas.

“Tínhamos uma relação de grande interesse não para que eles contribuíssem ou não para a campanha, mas pela importância que o grupo tinha e, acredito que ainda tem, na economia brasileira”, disse Dilma.

Essa foi a primeira vez que Dilma, que não é investigada, foi ouvida por Moro. Dilma é testemunha de defesa do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine no processo em que ele é réu por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, pertinência a organização criminosa e embaraço à investigação. Moro apenas comandou a audiência. O juiz não fez perguntas para a ex-presidente.

Seu depoimento durou pouco menos de 30 minutos. A ex-presidente chegou por volta das 10h50 na sede da Justiça Federal em Belo Horizonte para prestar o depoimento.

Ela esteve na Justiça Federal acompanhada do advogado Leonardo Isaac Yarochiwsky. Dilma não falou com os jornalistas que aguardavam o fim de seu depoimento. Questionada sobre se pretende se candidatar ao Senado em 2018, ela deu respostas curtas. “Está vendo? Por isso não convoquei uma coletiva.”

Na frente do prédio da Justiça Federal na capital mineira, não havia nenhuma movimentação diferente do comum. Não havia manifestantes contrários nem a favor da ex-presidente.  Bendine, que chegou à Petrobras durante o governo de Dilma, em 2015, é investigado pela força-tarefa da Operação Lava Jato no MPF (Ministério Público Federal) suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propina da empreiteira Odebrecht. No depoimento, a ex-presidente disse que não havia interesse na Odebrecht por doações para campanhas políticas, mas pela importância do grupo na economia do Brasil.

O executivo, segundo os procuradores, pediu a vantagem indevida para que a Odebrecht “não fosse prejudicada em seus interesses na Petrobras”. Ele teria tentado atrapalhar a Justiça ao, após descobrir, em 2017, que era investigado, simular um serviço de consultoria para a empreiteira, de acordo com a denúncia.

Veja o depoimento na íntegra:

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