Em presídio que abrigou Beira-Mar, Cabral terá cela de 6m², conversas vigiadas e veto a presentes.

Mais de 1.500 quilômetros de distância separam o passado de glória, poder e dinheiro do ex-governador Sergio Cabral no Rio de Janeiro de seu novo endereço, no presídio de segurança máxima de Campo Grande. O presídio, que fica a cerca de 15 km do centro da capital sul-mato-grossense, é policiado 24 horas por dia por agentes treinados e concursados pelo Sistema Penitenciário Federal. Perto dali há um lixão e, em volta do presídio, uma grande área verde, sem moradias ou loteamentos.

Dentro dele, as regras são rígidas e valem para todos, mesmo os visitantes: ninguém entra sem passar por detectores de metais e não é permitida a entrada de qualquer material, nem mesmo comida. Tudo é controlado. Até as conversas dos advogados com os detentos, que acontecem no parlatório, são gravadas em áudio e vídeo.

Alegando motivos de segurança, o Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, não divulgou quando será a transferência, que deve ocorrer em breve.

Assim que for transferido, Sérgio Cabral vai passar a viver em uma cela individual de seis metros quadrados. Ela ficará numa ala com 13 celas, de presos “intelectuais”, separado de criminosos de facções. Lá não terá acesso à rádio , televisão, celular ou relógio. Não existem interruptores nas celas. As luzes são acesas por um controle interno às 18 horas e apagadas às 22 horas. As portas das celas são de aço maciço, sem aberturas. Não existem grades nem janelas na cela, apenas ventilação. Da cela, não é possível ver do que se passa pelo lado de fora. É um mundo à parte.

O presídio de Campo Grande já abrigou conhecidos narcotraficantes nacionais e internacionais. Entre eles Fernandinho Beira-Mar e o colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. Assim como os outros 150 detentos do local, Cabral será e tratado como um preso comum, de alta periculosidade. “Aqui não é para qualquer um. Eles ficam na cela 22 horas do dia e, em alguns casos, não saem nem para ver a luz do sol, quando pegam o RDD [Regime Disciplinar Diferenciado]. O Abadía desenvolveu depressão aqui, adoeceu”, diz um agente penitenciário que pediu anonimato. No presídio, três detentos já se suicidaram e outros três casos foram controlados pelos agentes. “Aqui, eles não fazem o que querem , diz o segurança.

Os presos recebem diariamente seis refeições: café e lanche da manhã, almoço e lanche da tarde, janta e ceia antes de dormir. O café da manhã é servido às 7 horas. No cardápio, pão com manteiga e café com leite. Durante o dia, Cabral vai receber bolachas, seis torradas, suco em pó, marmitas com 715 gramas, frutas e refrescos. Terá direito a 200 gramas diárias de proteína, seja de carne, frango, ovo ou peixe.

O preso também tem direito a cinco livros e revistas por semana, oferecidos pelos agentes aos detentos. Nada pode entrar de fora, mesmo materiais de leitura. Visitas Já as visitas dos familiares acontecem no pátio, e também são gravadas com imagem e som e vigiadas por agentes. Cabral poderá receber três adultos por vez, uma vez por semana, em um pátio com área de 150 m². Desde que foi criado, em 2006, nunca houve motim ou rebelião no Presídio Federal de Campo Grande.

A decisão de transferir Cabral para um presídio de segurança máxima é do juiz federal Marcelo Bretas, da 1ª instância da Lava Jato no Rio de Janeiro. A determinação ocorreu na tarde da última segunda-feira (23), atendendo a pedido do MPF (Ministério Público Federal).

Paulo Renato Coelho Netto

Colaboração para o UOL

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