Delegados da Lava Jato criticam postura de Segóvia: “Ninguém referenda essa manifestação”

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Delegados do grupo de inquéritos da Lava Jato reagiram à fala do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segóvia, que,em entrevista à agência Reuters, nesta sexta-feira (9), disse que a tendência na corporação é recomendar o arquivamento da investigação contra o presidente Michel Temer no inquérito dos portos.

(Atualização:  a agência Reuters corrigiu informação sobre arquivamento de inquérito contra Temer, mas manteve que diretor da PF diz não haver indício de crime nem de pagamento de propina.)

A suspeita era que o presidente teria recebido propina para favorecer a Rodrimar, que opera áreas do porto de Santos (SP). O dinheiro teria chegado ao Planalto por intermédio de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor especial de Temer.

Temer e Rocha Loures já prestaram depoimento no inquérito e negaram irregularidades. O presidente semanifestou por escrito. Ele disse “nunca” pediu ou autorizou o ex-assessor a receber em seu nome recursos de campanha “ou de qualquer outra origem”.

Em troca de mensagens em grupo de whatsapp, investigadores disseram que as declarações de Segovia são manifestação pessoal e de responsabilidade dele. A mensagem diz, ainda, que ninguém da equipe de investigação foi consultado ou referendou essa manifestação.

“Os integrantes do Grupo de Inquéritos da Lava Jato no STF informam que a manifestação do Diretor Geral da Polícia Federal que está sendo noticiada pela imprensa, dando conta de que o inquérito que tem como investigado o Presidente da República tende a ser arquivado, é uma manifestação pessoal e de responsabilidade dele. Ninguém da equipe de investigação foi consultado ou referenda essa manifestação, inclusive pelo fato de que em três de anos de Lava Jato no STF nunca houve uma antecipação ou presunção de resultado de Investigação pela imprensa.”

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal criticou a postura de Segovia. “Independentemente da posição que ocupe na instituição, nenhum dirigente deve se manifestar sobre investigações em andamento”, afirmou a associação por meio de nota.

Também em nota, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) manifestou “discordância e preocupação” com a entrevista. Para a entidade, Segovia “extrapolou em suas funções, que são precipuamente administrativas”, acrescentando que cabe ao Ministério Público pedir o arquivamento e ao Judiciário a decisão final.

“Os policiais federais esperam uma retratação pública desse posicionamento, além de uma mensagem dirigida ao público interno, com um firme posicionamento atrelado a um rol de condutas isentas do dirigente maior da PF, que garantam o bom funcionamento dos nossos trabalhos, sem qualquer risco de que estaríamos vivenciando uma era de ingerências políticas em nossas investigações”, diz a nota

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2 comentários

  1. O Brasil, infelizmente entrou por “beco” cade vez mais tenebroso. Quando as pessoas A/ou/B, se acham periféricos de Temmer, acabam se ferrando. Entre outros foi assim com o : E.Cunha: J B S, Rocha Loures, e agora o Segóvia : falta mais quem???? Isso é incrível!>…

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