Correios: 37 mil reclamações, prejuízo de R$ 2 bilhões e “crescente degradação”, diz CGU

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Um levantamento feito pelo site Reclame Aqui mostra que foram registradas mais de 37 mil reclamações sobre os Correios, no período entre janeiro de 2016 a janeiro deste ano. As queixas se referem atraso na entrega de encomendas.

Uma das explicações  para o problema dos Correios é a falta de funcionários. A empresa não realiza concurso para contratação de funcionários desde 2011. Soma-se a isso o fato de os Correios terem aberto diversos programas de demissão voluntária no ano passado numa tentativa de reduzir custos.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo, Grande São Paulo e de Sorocaba (Sintect-SP) avalia que há um déficit de 4.000 carteiros só na capital paulista.  “Os carteiros vão para um setor, e voltam a ele depois de dois ou três dias. Quando retornam, o serviço está dobrado. É uma bola de neve”, disse o diretor de comunicação do sindicato, Douglas Melo.

O Mercado Livre, que atendeu 10 milhões de vendedores e 34 milhões de compradores no ano passado, sendo metade deles no Brasil, também está sentindo o impacto nos negócios. Leandro Soares, diretor da Mercado Envios, diz que o problema com atrasos já havia sido detectado, mas ficou ainda pior em novembro, dezembro e janeiro.

Um relatório divulgado pela Controladoria Geral da União (GCU) afirma que os Correios apresentaram “crescente degradação na sua capacidade de pagamento no longo prazo, aumento do endividamento e da dependência de capitais de terceiros, e principalmente, redução drástica de sua rentabilidade, com a geração de prejuízos crescentes a partir de 2013”. De 2011 a 2016, o patrimônio líquido da empresa sofreu uma redução de 92,63%.  Os Correios acumulavam um prejuízo de 2,03 bilhões de reais até novembro de 2017, uma alta de 17% em relação ao ano anterior.

O relatório conclui que se não forem tomadas medidas para ampliar a receita e reduzir custos, a empresa “irá se tornar gradativamente dependente de recursos transferidos pela União para o seu custeio”.

A crise dos Correios acabou refletindo também no fundo de pensão dos funcionários da empresa, o Postalis. Em janeiro, a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar a atuação de uma quadrilha que atuava desviando recursos do Postalis. Segundo as investigações, os desvios causaram um prejuízo de ao menos 6 bilhões de reais ao fundo.

Em nota, os Correios afirmam que a entrega de correspondências e encomendas está regular em todo o país. “Situações pontuais podem ocorrer e de imediato são adotadas soluções para cada caso. A entrega de encomendas continua sendo diária, ainda que tenha ocorrido expressivo aumento no volume de objetos nos últimos meses. A média do prazo da entrega de Sedex entre capitais tem sido de aproximadamente 1,5 dia. Número importante, tendo em vista o tamanho do país e as condições de infraestrutura existentes”, informa a estatal.

 

 

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Um comentário

  1. A AGU deixa claro que o prejuízo financeiro e a demanda de serviços e de funcionários deve-se a má gestão (incompetência) e roubalheira ocorrida na durante todos esses anos de governo civil. Para a ECT voltar ao que era a única esperança é a volta do regime militar em todos os escalões das instituições da república.