Tragédia em SP: falta de elevadores teria criado ‘chaminé’ e excesso de lixo agravado incêndio

prédio SP

 

São Paulo começou o 1º de Maio com as imagens de um prédio em chamas no coração da cidade. O edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, no Largo do Paissandu desabou após um incêndio que começou por volta de 1h30 da madrugada desta terça.

De acordo com o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo, a ausência de elevadores no prédio e a presença de muito lixo no local teriam agravado o incêndio, funcionando como combustível para o fogo.

“Ele tinha elevadores que foram substituídos (retirados). Então, esses dutos de ar que eles tinham no meio, pelo fosso do elevador, eles acabam formando uma chaminé. Você tinha muito material combustível: madeira, papel, papelão, algo que fez com que essa chama se propagasse com rapidez”, disse Palumbo.

“E a própria estrutura do prédio, sem os elevadores, formando essa chaminé, fez com que causasse o incêndio de forma generalizada na edificação.”

Ainda não há confirmação sobre número de mortos, mas uma pessoa está oficialmente desaparecida – um homem que estava sendo socorrido pelos bombeiros quando o prédio ruiu.

Por volta de 1h40, o Corpo de Bombeiros começou a divulgar informações no Twitter sobre os primeiros esforços para combater o fogo: “Incêndio em Apartamento, Largo do Paissandu, 100 – República. Em princípio não há vítimas. 20 viaturas no atendimento, 45 homens. Aguardamos mais informações do local”.

Pouco depois, ficou claro que o cenário era dramático. Viviam no prédio, em ocupação irregular, cerca de 150 famílias, de acordo com o cadastramento feito pela Prefeitura em março. Como as ocupações de sem-teto têm população flutuante, não se sabe exatamente quantas pessoas estavam no local enquanto as chamas tomavam conta dos apartamentos.

Depois do incêndio, segundo os bombeiros, a contagem de pessoas que saíram do prédio resultou em um número de 118 famílias – ou 317 pessoas. As pessoas que estavam no cadastro e não na contagem após o incêndio, no entanto, não necessariamente estavam na estrutura durante a tragédia.

O edifício construído em 1966 estava abandonado havia 17 anos. No passado, foi sede da Polícia Federal e abrigou uma agência do INSS.

De lá para cá, foi ocupado irregularmente diversas vezes – atualmente, os moradores pagavam em torno de R$ 200 mensais por um cômodo em algum dos andares. A ocupação estava a cargo do Movimento Luta por Moradia Digna (LMD).

Igreja evangélica

 

As chamas atingiram dois prédios vizinhos, e o desabamento destruiu parte de uma igreja luterana que fica ao lado do edifício. O templo, chamado Martin Luther, é uma das primeiras paróquias evangélicas luteranas da capital paulista, inaugurada em 1908.

O pastor Frederico Ludwig, de 61 anos, disse à BBC Brasil que 80% da igreja foi destruída. “Sobrou praticamente só o altar e a torre”, afirmou. Segundo ele, o templo havia passado por uma reforma interna que custou R$ 1,3 milhão e se preparava para uma reforma da parte externa.

“O prédio estava inclinado há pelo menos 20 anos. A gente chamou as autoridades várias vezes, e não deu em nada. Agora estamos assim, vamos recolher os escombros”, disse.

“Não questionamos a invasão, mas sim as condições em que as pessoas viviam. Tinha esgoto a céu aberto. No verão era enxame de mosquito (aqui).”

 

Lixo e ratos

Ana Cristina Macedo, de 43 anos, relatou que morou na ocupação até meados de 2017, com o marido. Ela deixou o prédio a pedido da irmã, por causa da situação precária e por morar num andar alto, “com muita escada”.

Ana Cristina se mudou para outro edifício ocupado pelo mesmo movimento, na Bela Vista.

“As condições eram precárias. Faltava luz todo dia e tinha muito lixo e rato. Os moradores achavam que era seguro. Dizem que os bombeiros estiveram aí e avisaram ao porteiro que podia cair, e ele não contou para ninguém”, afirmou à BBC Brasil.

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