Pedro Parente, um expert do mercado que aprisionou os verdadeiros donos da Petrobras: o povo

pedro aprente

 

Por Maurício dos Santos Pereira* 

O mercado mundial reage imediatamente ao pedido de demissão de Pedro Parente da Presidência da Petrobras, e o faz tendo em vista a não mais contar com a segurança nos lucros propiciados pelo sistema de preços adotado por ele. Sua visão não era o interesse público e sim o interesse econômico e a colocação no mercado mundial. Aliás, das suas próprias palavras  podemos tirar o seu escopo econômico, senão vejamos. Entrevista de Pedro Parente concedida ao Portal Valor Econômico “in verbis”
“Quando se reclama do preço, há um erro no enfoque. O problema não está na Petrobras, que não tem poder de definir preços. É arrogância pensar que a Petrobras é formadora de preços. Nós reagimos à flutuação da commodity no mercado internacional”.
Fica claro que o objetivo da gestão é, como meio único, o acompanhamento da flutuação da commodoty no mercado internacional. Noutra entrevista concedida ao Portal GuiaOffshore ele assim se posicionou:
“Estamos cumprindo à risca o que prometemos no nosso plano de negócios anunciado em 2016 e o resultado do primeiro trimestre mostra que as escolhas têm sido acertadas e que o esforço tem valido a pena”
Pedro Parente, disse, em HOUSTON na “Offshore Technology Conference (OTC) lá em 2017, que “nossas iniciativas seguem em direção ao aumento da eficiência e da competitividade da companhia no mercado global de petróleo e gás”, afirmando que o desinvestimento seria, de U$ 21 bilhões entre 2017 e 2018, conforme consta no site da Petrobras.
Portanto, temos como claro e notório o objetivo comercial/econômico da gestão de Pedro Parente, tanto assim que a Petrobrás conquistou,pelo primeira vez, o prêmio “Corporate Liability Manegement os the Year” concedido pelo revista LatinFinance, isso por ter sido a empresa que executou a melhor gestão de dívidas no mercado internacional de capitais em 2016. Logo, qual foi o foco da gestão Pedro Parente? Respondemos: eficiência e competitividade.

Só que tal alicerce de gestão não pode se divorciar do interesse público, exatamente o que estava ocorrendo.
Não é preciso ser especialista para saber que a Petrobras tem valido muito a pena aos investidores, sejam os internos ligados ao próprio gestor Pedro Parente, sejam os estrangeiros de grande poder econômico como os fundos de investimentos americanos.
O paradoxo está entre a recuperação a Petrobras e os meios e efeitos advindos deste objetivo. Certo é que a recuperação da Petrobras a transformou em empresa de “lucro certo” aos investidores em detrimento dos interesses do cidadão brasileiro, o que não vale nada a pena.
Pedro Parente, expert no mercado de gestão empresarial, não deu ponto sem nó, pois, concomitantemente valorava a Petrobras e a tirava do buraco, mas (ainda que não diretamente, mas com conhecimento sobre) fez gestão para diversas empresas privadas de investimentos, em especial fundos de pensões americanos e outros investidores e ou credores entre os quais o próprio Pedro Parente é sócio e ou participante, diretor e ou proprietário.
Tomando como base as ações da Brasken, estas foram praticamente líderes de alta, segundo o Ibovespa. Isso não é à toa, pois a gestão da Petrobras, que anunciou a transformação da Brasken em uma ‘corporation’ (controle diluído em bolsa), movimentou o mercado valorizando aquelas ações. O que não é ruim, pelo contrário, mostra a boa visão de gestão de Pedro Parente, mas por trás disso há efeitos que, nós brasileiros, acharemos no mínimo “esquisitos”. Vejamos.
A Petrobras detém 47% das ações da Braskem, o que justificaria esforços para valorizá-la com o fim de desinvestimento, todavia, esses esforços ajudam diretamente a Odebrecht -que possui 51,1% das ações da Brasken com direito a voto.  A Odebrecht tem seu ex-presidente (Marcelo Odebrecht) preso na Operação Lava Jato. Não é ilícito Pedro Parente ter auxiliado a valoração da Brasken cujo sócio majoritário é a Odebrecht. Mas é para pensar que, depois da entrada de Pedro Patente na Petrobras, a recuperação da Braskem tem sendo galopante.
Outra certeza é que a Odebrecht queria vender as ações da Braskem, em 2016/2017, mas depois que houve uma valoração das ações desta última, a Odebrecht não o quis mais.Ou seja, toda evolução trazida pela gestão de Pedro Parente beneficiou tanto a Petrobrás e a Braskem que Odebrecht não quer mais vender ações da Braskem, mas sim usar a valorização das ações dela obter empréstimos entre R$ 2, 5 a R$ 3.5 bilhões, beneficiando-se indiretamente da gestão de Pedro Parente na Petrobras.

Embora ainda que não seja ato ilícito, nos faz pensar sobre as finalidade da modalidade de gestão de Pedro Parente, que não visou, jamais, o interesse do Brasil como um todo em especial a questão desenvolvimento interno e social.
O que podemos afirmar é que, pela sua gestão, a Petrobras realizou atos financeiros, no mínimo suspeitos e beneficiou empresas ligadas a ele.
Neste ano, a Petrobrás fez pagamentos adiantados de dívidas que só venceriam em 2022 no importe de U$ 600 milhões, quase 2.000.000.000,00 de reais ao Banco JPMorgan. Mesmo que tal antecipação tenha gerado desconto significativo na dívida, não é nada bom saber que o presidente do JP Morgan é sócio de Pedro Parente.
É ou não é ato que causa estranheza? Pois, ainda que lícito o adiantamento, é extremamente inadequado a um gestor público. Não existe certeza de que o ato tenha sido para beneficiar-se pessoalmente com a antecipação de pagamento, mas é motivo para pensar, sobretudo agora, que, logo após os adiantamentos, Pedro Parente pede demissão.
Mas há mais.
O fundo de pensão americano BlackRock, maior investidor do mundo, é acionista relevante na Petrobras, possuindo cerca de 5,1% da ações, além disso esse fundo faz aplicações no Banco JPMorgan, portanto, mesmo sem constatações de ilegalidade até agora, todavia, nos leva a pensar nos benefícios que tais empresas receberam pela gestão “hard” de Parente.
Há nítida relação entre empresas que se configura como grupo empresarial, portanto, todo e qualquer ato do Presidente da Petrobras que privilegie empresa desde grupo empresarial, de fato, é indecoroso e inegavelmente, execrável.

Não podemos viver nessa dúvida eterna: será que Pedro Parente está beneficiando alguém com a política de aumento diário do valor dos combustíveis???
Todos presenciamos a valoração das ações da Petrobrás, sobretudo nos últimos 6 meses, portanto, há de ser investigada as vendas da ações da Petrobras, entre os dias 21/05/2018 e 01/06/2018, no sentido de determinar se houve realizações por informações privilegiadas.
Mesmo sem imputação de ilícito, mas, seguindo o trivial do dia a dia no Brasil, com a demissão de Pedro Parente, pessoa tão especializada no mercado, a desvalorização das ações da Petrobras era de seu conhecimento quando decidiu demitir-se. Portanto, uma queda de 40 bilhões de reais nas bolsas de valores é valor tão importante que empresas podem ter se privilegiado caso soubessem antecipadamente da demissão.
Assim, a análise do fato (demissão de Pedro Parente) não deve ser recebida simplesmente como um descontentamento de Pedro Parente em relação à tentativa de ingerência política em sua gestão Petrobras. Mas sim, e como ato de cautela, a ser investigada para que o Brasil, mais uma vez, não tenha sido meio de manobra lucrativa de empresas que se relacionam de fato no mundo dos negócios.

Parente, um bom gestor?
Não se pode dizer que Pedro Parente não é um bom gestor. Aliás, muito pelo contrário é ótimo gestor de empresas, mas jamais poderia atuar em empresa pública, que deve respeitar o interesse público. O que não vem sendo feito.
Concluímos que a gestão de Pedro Parente como Presidente da Petrobras, apesar de extremamente técnica e eficiência, não teve visão social quanto ao desenvolvimento interno do país, visando, claramente o lucro de empresas outras e prejuízos diários aos brasileiros. Ainda que não exista  ilícito da gestão de Pedro Parente e que ele tenha tirado a Petrobras do buraco em que o PT a enfiou, a sua saída não é mais desastrosa  quanto sua permanência, sendo certo que esta última, impingiria ao cidadão brasileiro uma eterna imprevisibilidade, prejuízos diários, ficando os 215 milhões de brasileiros, reféns de uma única pessoa, Pedro Parente.
Vá com Deus Pedro Parente, que venha novo(a)Presidente capaz de discernir, dentro dos limites do lucro da Petrobrás, o que é bom para a Petrobras sem aprisionar seus verdadeiros donos, o povo.

*Maurício dos Santos Pereira é professor na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e sócio proprietário na empresa MSP Advogados

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