Não há vida no 1º trimestre da gestação? Para o ministro Barroso, não

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A conceituada revista de ciência Nature publicou no último dia 4 de dezembro uma matéria sobre o avanço das imagens em 3D. No entanto, o que chamou mais a atenção foi a foto de um embrião de 8 semanas com as imagens da vascularização em desenvolvimento e do sistema nervoso periférico.

É bem verdade que aprendemos na escola que o nosso sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central, constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal e pelo sistema nervoso periférico (nervos cranianos e raquidianos). O encéfalo é formado pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico.

A função do sistema nervoso periférico, basicamente, é ligar o sistema nervoso central aos outros órgãos do corpo e com isso realizar o transporte de informações.

Dois dias depois da revista publicar a notícia, a professora Lygia da Veiga Pereira, pesquisadora brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo estabelecimento de uma primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias de multiplicação in vitro, compartilhou a matéria em sua página pessoal no Facebook (acesse aqui: https://bit.ly/2Eosijy)

Foi o que bastou para os internautas começarem uma discussão. Uma internauta publicou “Bom material para combater as loucuras do abortismo”.

Uma outra publicou o seguinte comentário: “A imagem deixa claro que o cérebro não está desenvolvido. Sem cérebro é IMPOSSÍVEL o corpo humano interpretar a dor”. Em resposta, uma outra internauta escreveu “Discordo de você no sentido que a marcação é pra sistema nervoso periférico. Então obviamente o cérebro não iria estar marcado”. Aparentemente nervosa, a internauta replicou “Você não discorda de mim. Você discorda de toda a embriologia, medicina do mundo”.

Uma outra mulher interveio e escreveu “Ela não tá discordando do envolvimento do cérebro na sensação de dor, apenas tá dizendo que essa imagem mostra exclusivamente o sistema nervoso PERIFÉRICO, e o encéfalo faz parte do sistema nervoso CENTRAL. Podia ser uma imagem de um adulto que seria a mesma coisa”.

Teve quem chegou a afirmar que “O bebê super desenvolvido que tanto nos falam não podem sentir dor, mas a mãe pode morrer num aborto clandestino que vocês estão pouco se lascando. Sem contar que depois que a criança cresce sem apoio algum, quero ver vcs darem abrigo, comida e educação”.

Essas discussões resumem, basicamente, o que virou a discussão sobre o aborto no Brasil. Um materialismo de dar dó. Se não sente dor ou a mãe não pode criar ou o risco de a mãe morrer num procedimento mal feito bastariam para ceifar uma vida. A que ponto o progressismo chegou? E tem mais.

No Brasil, o ministro Luis Roberto Barroso, ao julgar um caso sobre a descriminalização do aborto em 2016, decidiu que “A interrupção voluntária da gestação não deve ser criminalizada, pelo menos, durante o primeiro trimestre da gestação. Durante esse período, o córtex cerebral – que permite que o feto desenvolva sentimentos e racionalidade – ainda não foi formado, nem há qualquer potencialidade de vida fora do útero materno”.

O córtex cerebral corresponde à camada mais externa do cérebro. Ou seja, para o ministro abortista, nem o cérebro em formação importa mais.

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Barroso é o mesmo que afirmou recentemente que o debate sobre aborto deve ser feito no Supremo Tribunal Federal e não no Congresso Nacional, com os legítimos representantes do povo brasileiro. São os déspotas esclarecidos da contemporaneidade.

Foto: Imagem 3D de nervos periféricos (verde) em embrião humano de 8 semanas de idade. Crédito: Alain Chédotal / Morgane Belle

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