Militares se rebelam contra Maduro mas são presos horas depois

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Membros de uma unidade da Guarda Nacional Bolivariana, um dos quatro braços das Forças Armadas da Venezuela, publicaram vários vídeos nas redes sociais na madrugada desta segunda-feira (21), afirmando que estavam dispostos a apoiar a população para “restabelecer o laço constitucional” no país e convocando outros militares a se manifestar contra o regime de Nicolás Maduro.

“Senhores, aqui está a Guarda Nacional”, diz o autor do vídeo ao filmar pelo menos dez guardas no comando de Cotiza, no norte de Caracas. “Povo da Venezuela, aqui se une [a Guarda Nacional] para restaurar o laço constitucional. Você quer isso? Nós também. Já basta. Nós vamos apoiá-los”.

Os vídeos começaram a circular vertiginosamente nas redes sociais. Moradores dos arredores, segundo o jornal venezuelano El Nacional, iniciaram manifestações para mostrar apoio à atitude do grupo de militares.

Mas não demorou muito para haver uma reação do regime. Agentes da Força de Ações Especiais (FAES), do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) e alguns soldados das Forças Armadas Nacionais (FAN) isolaram o comando da Guarda Nacional na unidade de Cotiza, onde estava o grupo rebelde. Ao mesmo tempo, os manifestantes civis foram repelidos com bombas de gás lacrimogêneo.

Ainda pela manhã, as Forças Armadas comunicaram que o grupo de militares havia sido detido e que “o armamento roubado” havia sido recuperado.

Os integrantes do grupo rebelde estão prestando depoimento às autoridades do regime chavista, inclusive a organismos de inteligência e ao sistema de justiça militar.

O presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, também pelas redes sociais, afirmou que os acontecimentos no comando da Guarda Nacional em Cotiza foram “uma mostra de um sentimento generalizado que impera dentro da FAN”. Ele também enfatizou que o legislativo se compromete a dar “garantias necessárias” para os membros das Forças Armadas que contribuam com a restauração da democracia no país.

Na semana passada a Assembleia Nacional aprovou um projeto de lei que prevê anistia para presos políticos e funcionários do governo que ajudem a “restabelecer a ordem constitucional”. A iniciativa tem como objetivo mobilizar militares de média e baixa patente contra Maduro, uma demonstração de que a oposição entende a importância das Forças Armadas na sustentação do regime.

*Fonte: Gazeta do Povo

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