Os piores alunos do ensino médio estão se tornando professores

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O enorme contingente de alunos abaixo do nível aceitável, acompanhado de preocupantes índices de analfabetos absolutos e funcionais no Brasil, na verdade, não são culpa (apenas) da má qualidade de formação que algumas universidades oferecem aos futuros professores ou de escolas com péssima gestão. “O buraco é bem mais embaixo”, lamenta João Batista Araujo e Oliveira, Ph.D. em Pesquisa Educacional pela Universidade do Estado da Flórida (1973) e presidente do Instituto Alfa e Beto.  A organização realizou uma pesquisa, publicada em 2016, em que mostrou o perfil de grande parte dos alunos dos cursos de Pedagogia no Brasil, sendo que a maioria desses estudantes obteve notas no Enem menores que a da média nacional.

Em seu ponto de vista, o problema central do sistema educacional está na forma de recrutamento para quem quer se tornar docente. Em reportagem para o jornal Gazeta do Povo, Araújo defende que é necessário “selecionar pessoas de mais talento e bagagem intelectual para a carreira de professor”, mas salienta que, para mudar o quadro, “o Brasil tem que fazer uma tarefa de 30 anos – que não começou ainda”.

Para João Batista o problema central do sistema é o professor. É preciso mudar o perfil de recrutamento, recrutar gente com mais talento, bagagem intelectual e melhor formação [no ensino médio] para ser professor. Nas últimas décadas, se abriu demais [a carreira de professor] para gente que não tem o mínimo de preparo compatível com as exigências para a ocupação do cargo. Há um contingente enorme que, na sua grande maioria, vem dos piores alunos do ensino médio.

As estratégias que vêm sendo usadas também parecem inadequadas, para o pesquisador. Prova disso é que não tem havido grandes ganhos de qualidade e, para esse tipo de professor que nós temos, eventualmente, outros tipos de pedagogia e de intervenção são mais eficazes do que os que vêm sendo usados. Não adianta ficar tentando capacitar essas pessoas cuja base é muito pequena. O buraco é bem mais embaixo, o problema central do sistema de ensino é o professor.

O estudo de João Batista nos faz entender que não é somente o salário dos professores que faz a diferença para a educação. O que adianta um professor ruim ganhando bem? É necessário unir um melhor processo de seleção e bons salários, para que profissionais capacitados de fato possam alfabetizar nossas crianças.

Curta República de Curitiba
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2 comentários

  1. Concordo com Sr João Batista é um trabalho que deve começar agora para colher frutos daqui a pelo menos duas décadas.
    É preciso melhorar o nível de competência dos professores pois de nada adianta um professor ruim ganhando bem.