O caso Wikileaks foi aquele de 2013 pelo qual um ex-agente da inteligência americana (Assange), alegando indignação com a invasão de privacidade pelos governos, divulgou um volume gigantesco de informações secretas de extrema relevância, de vários governos, por meio do jornalista Glenn Greenwald.

Algumas importantes, outras curiosas, muitas constrangedoras e até perigosas, que puseram em risco agentes de segurança e favoreceram o terrorismo. Julian Assange segue nessa atividade, abrigado na embaixada do Equador em Londres, dizendo-se jornalista independente, enquanto atua no intrincado mercado de segredos internacionais.

Esta semana, duas pessoas relacionadas ao “Wikileaks” estiveram na mídia. Um da direita liberal, outro da esquerda liberal. Roger Stone é um antigo lobista de Washington, também militante de liberdades sexuais e de drogas, retratado num documentário do Netflix. Lá atua nos bastidores desde o governo Nixon, tendo ajudado Trump no início de sua pré-campanha, onde depois perdeu espaço para assessores ideologicamente mais conservadores e moralistas.

Stone teria se utilizado da rede em torno da wikileaks, com suposto apoio da Rússia, para colaborar com a obtenção e divulgação do servidor de e-mails do Diretório Nacional do Partido Democrata Americano (de esquerda).

O conteúdo é avassalador, envolve probabilidade de submissão do Partido Democrata a interesses de inimigos estrangeiros, mas a forma prevaleceu sobre o conteúdo: a obtenção dessa informação com a ajuda do Wikileaks e da arqui-inimiga Rússia parece ter chamado mais a atenção da mídia e dos agentes públicos dos EUA.

Stone foi preso ontem (25.01) por mentir no Congresso sobre o seu grau de envolvimento com o Wikileaks, em depoimentos que prestou (2016 e 2017) quando a pauta da mídia tentava a todo custo associar Trump à Rússia e assim o derrubar por traição à sua pátria.

A outra face do tema Wikileaks no noticiário desta semana é David Miranda, suplente do deputado federal Jean Willys. A súbita desistência de Jean Willys causou muita suspeita junto ao jornalismo independente. Para seu histórico de ativismo e renda, tal decisão não parece racional, mesmo sob ameaça.

Deputados contam com poder e proteção física, o que ele não terá no exterior. Se a ameaça fosse grave e real ao ponto se justificar uma fuga do país, também o seria para o alcançar no exterior. É razoável crer que é mais seguro para ele ser deputado aqui do que cidadão estrangeiro comum no exterior. Uma justificativa que se cogitou foi algum tipo de acordo, caridade ou negociação com David Miranda.

David, que comunga com Jean o ativismo na causa gay, é namorado de uma dos jornalistas mais ligados a Assange e ao Wikileaks. Sim, Glenn Greenwald. Trabalhando abrigado na costa carioca, o americano é figura-chave no complexo e glamouroso jogo global de informações ultrassecretas.

David foi preso (como noticiamos) há alguns anos, numa escala em Londres, acusado de terrorismo, carregando gigabytes de informações secretas do MI6 (sim, o do fictício James Bond), que colocariam em risco seus agentes e colaboradores, de Berlim para o Rio de Janeiro, supostamente em favor ao namorado Greenwald.

Miranda foi preso e solto em 2013. Apelou entre 2014 e 2015, alegando irregularidades na abordagem e liberdade de imprensa. Não conseguimos confirmar como se encerrou o mérito do processo. O Brasil não extradita brasileiros, mas cumpre sentenças criminais estrangeiras transitadas em julgado. Miranda poderia, em tese, ser preso e cumprir pena no Brasil pelo crime declarado pelo Reino Unido, conforme tratados internacionais, sobretudo quando a diplomacia brasileira está muito aberta a aprimorar nossas relações com o primeiro mundo. Ou mesmo pode estar se sentido realmente ameaçado, considerando o mundo de espionagem com o que se envolveu. Assim, é razoável supor que David possa estar sob maior risco que Jean, e que o seu mandato lhe é mais necessário, tanto pessoalmente, como às causas e aos líderes dos movimentos globais e nacionais de esquerda liberal ou progressista.

Hoje o liberal de esquerda e o liberal de direita que colaboraram com o wikileaks para a quebra de sigilos de grandes poderes, Miranda e Stone, estão no noticiário. O que se espera é que Stone seja vulgarizado e associado a Trump, enquanto que Miranda será enaltecido e associado à liberdade de imprensa e aos grupos e causas que defende junto com Jean Willys.

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