Júri condena Carli Filho, mas desembargador diminui pena e o livra da prisão

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Essa é uma daquelas histórias que nos envergonham, mas é preciso que ela seja contada e recontada. A cada dia que passa o judiciário brasileiro nos dá motivos para a desesperança e o desrespeito pela instituição, salvo raras exceções.

Para tentar resumir a história: O ex deputado estadual do Paraná Fernando Ribas Carli Filho, em maio de 200, tomou seis garrafas de vinho, saiu de um restaurante cambaleando de bêbado, pegou seu carro e no trajeto matou dois jovens em um terrível acidente de trânsito.  Na verdade não foi acidente, já que ele assumiu o risco de matar quando saiu dirigindo alcoolizado pelas ruas de Curitiba.

Em fevereiro de 2018, o júri popular condenou Carli Filho por duplo homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. O juiz fixou a pena em 9 anos e 4 meses em regime fechado. Mas nesta semana a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná concordou com a defesa e diminuiu a pena que havia sida aplicada pelo júri. Os desembargadores Clayton Camargo e Miguel Kfouri Neto decidiram pela redução da pena, que ficou fixada em 7 anos, 4 meses e 20 dias. E mesmo que a assistência da acusação e o Ministério Público possam levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a pena não pode mais ser aumentada.

E para piorar ainda mais a situação, a pena aplicada representa cumprimento em regime semiaberto, mas não há vagas nesse sistema, portando Carli Filho vai apenas usar tornozeleira eletrônica. Sim, matou dois jovens e vai usar o adereço no tornozelo. Essa é a pena que os doutos desembargadores aplicaram.

Vale lembrar que a família de Carli Filho faz parte da política paranaense. Seu pai foi prefeito em Guarapuava, região onde o clã ainda tem muita força política e seu tio, Plauto Miró, foi reeleito pela 8ª vez para deputado Estadual.

No fim disso tudo restam questões. E a soberania do júri? Todo o trabalho do tribunal do júri serviu apenas de circo midiático?

O que fica para nós é o sabor amargo e indigesto da injustiça e a certeza de que neste país as leis não se aplicam para os poderosos e mais abastados. Pelo menos temos as exceções, como Deltans e Moros por aí, que salvam aquele pingo de esperança que ainda temos na justiça brasileira.

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