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A Revista Veja, em 13 de maio de 2015, publicou a reportagem “Interventor do Sindicato dos Comerciários do Rio dá cargo a ‘camaradas’ do PCdoB”.

Nessa época, o escritório do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, prestava serviços ao Sindicato dos Comerciários do Rio. Até aí, nada de mais.

Ocorre que Carlos Henrique de Carvalho, o Kique, militante do PCdoB e candidato derrotado a deputado federal em 2010, foi sócio do escritório Felipe Santa Cruz Advogados até pelo menos 11 de março de 2018. Na última alteração feita em 9 de setembro de 2018 disponível na internet, o nome do advogado já não mais aparecia no quadro societário.

Mas quem é Kique?

Durante três décadas o Sindicato dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro, com 2.500 associados, foi um feudo particular de onde integrantes de uma família – os Mata Roma – tiraram sustento, prestígio e influência sem sequer serem comerciários. Atuavam no ramo da aviação, sem muito a ver com o ramo do comércio.

Alvo de investigações de superfaturamento e nepotismo, entre outros delitos, em 2014 o sindicato sofreu intervenção da Justiça que afastou o então presidente Otton Mata Roma (da terceira geração, com salário mensal de 52 mil reais), junto com nove parentes. A denúncia apurou que os desvios passaram de R$ 100 milhões.

O primeiro interventor nomeado, Aloysio Santos, foi transferido para outra função e substituído por seu auxiliar direto, o advogado José Carlos Nunes. Segundo relatos de funcionários, uma vez no cargo, Nunes pôs-se imediatamente a reeditar práticas dos Mata Roma, com uma diferença: além de privilegiar família e amigos, deu emprego a integrantes do PC do B, partido do qual seria simpatizante.

“Todas as irregularidades da antiga presidência estão se repetindo. A única coisa que mudou é que a corrupção dos Mata Roma era familiar e a de agora também é partidária”, resume um funcionário afastado.

E onde entra o escritório do atual presidente da OAB Nacional Felipe Santa Cruz? O escritório tinha entre seus sócios, justamente, Carlos Henrique de Carvalho, o Kique, uma espécie de braço direito informal de Nunes.

E não era só isso. Nunes, em gravação entregue à Justiça, confirma que “Estamos fazendo um escarcéu com o escritório do Felipe Santa Cruz. Que é bom que se diga, é um aliado importantíssimo nessa luta. O Felipe na área jurídica tem nos blindado, na imprensa o Felipe tem nos blindado também. Ele é um aliado que está conosco”. Áudio do José Nunes, onde no minuto 4min e 16s ele fala de Felipe Santa Cruz.

A luta a que se refere é o apoio do interventor a chapa 1 que concorreria às eleições do sindicato. O G1, à época, fez reportagem sobre o assunto.

Resumindo, toda essa história leva a crer que Santa Cruz e seu sócio Kike eram extremamente ligados ao interventor Nunes, sabiam das práticas realizadas no Sindicato dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro e tinham conhecimento do loteamento de cargos no sindicato para militantes do PCdoB. Mais uma história mal contada do presidente nacional da OAB.

Ah, e só para que fique claro para Santa Cruz: não somos robôs e temos excelentes fontes em todo o país.

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