Imagine que você tenha 3 filhos em idade escolar. Um deles é avesso aos estudos e não faz as tarefas da escola, os outros dois se dedicam e não tiram notas abaixo da média, mesmo que isso custe a eles o tempo que poderiam estar brincando. No final do ano o filho que não estuda reprova de ano. Você premiaria igualmente os três filhos no natal?

Essa é a questão levantada pelo governador do Paraná Ratinho Jr., que defendeu que administrações que fizeram o “dever de casa” merecem um prêmio. No caso dele, como recompensa, gostaria de ter uma nova linha de crédito para o Estado.

“O Estado que faz uma gestão com mão de ferro nas contas públicas tem desvantagem. Eu não quero prejudicar os outros Estados, mas quero que haja um reconhecimento dos Estados que fizeram a lição de casa”, afirmou o governador para o Estadão.

Ratinho Jr. se comprometeu a continuar as medidas de cortes de cargos no governo. O número de secretarias caiu de 28 para 15, haverá renegociação de contratos e a suspensão de alguns, com economia esperada de R$ 350 milhões, segundo o governador. A arrecadação do Estado gira em torno de R$ 56 bilhões por ano e 65% são gastos com folha de pagamento, sendo o grosso o pagamento de policiais militares e professores. O gasto com a folha de pagamento do Estado subiu de R$ 10 bilhões em 2010 para R$ 32 bilhões em 2018.

Enquanto alguns estados mergulharam em dívidas devido a uma má gestão, o Paraná se esforçou nos últimos anos para que não caísse no buraco sem fim dos dividendos. Mas para isso precisou aguentar a pressão e não ceder às chantagens de sindicatos como o dos professores, que não se importam com folha de pagamento nem com responsabilidade fiscal. O que importa é aumentar os salários, mesmo que para isso a administração entre em colapso.

A imprensa está criticando a posição de Ratinho Jr., talvez porque concordem em premiar os errados e punir quem se esforce para dar certo. Ninguém está questionando que os estados que estão em dívidas precisam de ajuda, mas também devem oferecer uma contrapartida de que irão cortar gastos e ter pulso firme para não ceder ao lobby dos sindicatos. E os estados como o Paraná merecem sim um “prêmio” por ter feito o necessário.  E para Ratinho Jr. o prêmio seria o avanço nas negociações com o Ministério de Infraestrutura para a inclusão de rodovias estaduais no programa federal de concessões de infraestrutura. O objetivo é turbinar os acessos ao Porto de Paranaguá, o maior porto exportador de produtos agrícolas do País.

Deixe um comentário

%d blogueiros gostam disto: