Diretor do Estadão assassina jornalista a tiros: uma história de injustiças para nunca esquecer até onde pode ir quem tem o poder da mídia

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O jornalista Antonio Pimenta Neves teve muita sorte de ser brasileiro e ao mesmo ter sido comandante do poderoso jornal O Estado de S. Paulo quando matou a tiros a ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide, de 32 anos, em agosto de 2000. Os dois haviam rompido o namoro de quatro anos poucas semanas antes, quando Sandra contou estar apaixonada por outra pessoa.

Em qualquer país civilizado, como Estados Unidos, França ou Espanha, pouco importaria a posição de poder na imprensa do assassino: ele seria jogado imediatamente na cadeia. Mas aqui parece que a história foi bem diferente.

Réu confesso, julgado e condenado em primeira e segunda instâncias, ele continuou escandalosamente livre por quase dez anos. Levou uma vida tranquila e discreta, sem responsabilidades e obrigações (graças a duas aposentadorias, que lhe permitiu viver sem precisar trabalhar).

Seis anos depois do assassinato, o jornalista foi condenado a 19 anos de prisão, mas conseguiu recorrer da sentença em liberdade e em 2008 teve a pena reduzida em quatro anos. Ele só foi preso em maio de 2011, após esgotar os recursos no Supremo Tribunal Federal. Mas logo foi transferido do regime semiaberto e em 2016, para o regime aberto. Ou seja, a condenação toda foi uma piada.

Em 2013, Pimenta Neves deu uma entrevista para a Rede Record e revelou que poderia ter fugido do Brasil, o que lhe possibilitaria nunca ter posto os pés na cadeia.

— Eu não quero minimizar de maneira alguma o que eu fiz, tanto que poderia ter ido embora do País antes do meu julgamento. Tenho visto permanente nos Estados Unidos. Eu poderia ter ido pra qualquer lugar. Não foram poucas as pessoas que sugeriram isso, mas eu sempre recusei.

Naturalmente, as possibilidades no Brasil lhe pareceram mais atraentes.

Pimenta Neves também elogiou um dos irmãos Cravinhos, Christian, que participou do assassinato brutal dos pais de Suzane von Richthofen.

— Esse, por exemplo, é um menino de um talento extraordinário. Eu sou apaixonado por música, jazz (…). Ele é um baterista extraordinário.

Esta é a prova de que até insanos assassinos podem estar no comando de jornais da mídia tradicional. Esta foi a experiência do Estadão.

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