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Dilma diz aos suíços que diminuiu “brutalmente” os impostos e esse foi seu maior erro

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A presidente cassada Dilma Rousseff admitiu que cometeu um “grande erro” ao promover a desoneração fiscal. Em Genebra, na Suíça, para participar de debates e seminários, a brasileira foi questionada se era capaz de assumir seus erros e se estava arrependida de alguma decisão que tomou enquanto governou o Brasil.

“Eu acreditava que, se eu diminuísse impostos, eu teria um aumento de investimentos”, disse a ex-mandatária. “Eu diminuí e me arrependo disso. No lugar de investir, eles (os empresários) aumentaram a margem de lucro”, afirmou.

Segundo a petista, uma das acusações que lhe foram feitas é de ter mantido uma política fiscal “mais frágil”. “Errei em uma coisa: tentamos fazer com que os investimentos fossem aumentados. Fiz uma grande desoneração, brutalmente reduzimos os impostos”, disse. “Ali, eu cometi um grande erro. (…) Acreditava que, se fizéssemos isso, eles iriam investir mais e a coisa seria melhor. Eu errei.”

Fonte: Veja

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Recém-empossado, ministro das Relações Exteriores é delatado pela Odebrecht

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O novo ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer, Aloysio Nunes (PSDB), que tomou posse na semana passada, teria recebido meio milhão de reais pelo caixa dois para a sua campanha ao Senado, nas eleições de 2010.

As informações constam em delação premiada do ex-diretor da Odebrecht, Carlos Armando Paschoal, conhecido como CAP. Em depoimento aos investigadores da Lava Jato, ele contou ainda que foi o próprio Aloysio quem pediu o dinheiro, entregue em duas ou três parcelas, durante encontros em hotéis da capital paulista.

Na ocasião, Aloysio Nunes foi o senador mais votado da história de São Paulo, com mais de 11 milhões de votos, segundo informações da Folha de S. Paulo.

Na prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o senador Aloysio Nunes informou que arrecadou R$ 9,2 milhões naquelas eleições, mas a empreiteira não aparece entre os doadores.

A delação foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) deve pedir nos próximos dias a abertura de inquéritos para investigar os políticos citados.O ministro não se pronunciou sobre o assunto.

Nutrends retira patrocínio do Boa Esporte após contratação de Bruno

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A contratação do goleiro Bruno, de 32 anos, pelo Boa Esporte, equipe de Varginha, no Sul de Minas, gerou polêmica e críticas ao clube e aos patrocinadores. Uma das empresas que apoiava o time decidiu, na noite deste sábado, deixar de estampar a sua marca na camisa. A Nutrends Nutrition afirmou, depois de reunião, que não vai mais patrocinar o Boa.

Por meio de nota publicada na página oficial da empresa no Facebook, a Nutrends anunciou o fim da parceria. “Em reunião extraordinária, a diretoria da Nutrends Nutrition decidiu que, a partir de hoje (sábado, 11/03), a empresa não é mais patrocinadora/apoiadora do Boa Esporte Clube”, diz o documento. A marca era estampada no ombro da camisa do time. Em poucos minutos, vários internautas apoiaram a decisão.

“Parabéns pela sensata decisão de não vincular a imagem da empresa a um time que contrata assassinos! Parabéns por ouvir seus consumidores! Vocês ganharam meu respeito”, comentou uma seguidora da empresa. “Que todos os outros patrocinadores sigam este exemplo!!! Apoio a time de assassino é ser conivente com o crime!!!”, cobrou outro fã da marca. “Parabéns! Apoiar time que contrata feminicida seria péssimo para a imagem de qualquer empresa”, manifestou-se outro cliente da Nutrends.

Bruno acertou nessa sexta-feira o contrato por duas temporadas com o Boa Esporte. Já este ano, ele poderá disputar o Módulo II do Campeonato Mineiro e a Série B do Campeonato Brasileiro. Desde que saiu da cadeia, em 24 de fevereiro, os advogados do atleta afirmavam que ele tinha aproximadamente dez propostas para voltar aos gramados.

 Fonte: Estado de MInas

Karnal pensa bem e declara admiração pelo juiz Sergio Moro. Esquerda esbraveja

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O professor e historiador, Leandro Karnal, postou em uma rede social uma foto ao lado dos juízes Sergio Moro  e Anderson Furlan. Na postagem, ele comentou sua satisfação com encontro e revelou sua admiração pelos magistrados.

“Dia intenso em Curitiba. Encerro com um jantar com dois bons amigos: juiz Furlan e juiz Sergio Moro. Talvez não faça sentido para alguns. O mundo não é linear . A noite e os vinhos foram ótimos. Amo ouvir gente inteligente. Discutimos possibilidades de projetos em comum.”

Seus seguidores, a maioria apoiadora da esquerda,  se manifestaram em tom de decepção e crítica. Veja alguns comentários:

“Cara, dividir a mesa com esse DESQUALIFICADO é um desserviço para o Brasil. Realmente nesses tempos líquidos não dá pra confiar em ninguém. Curta aí seu momento de tietagem com esse juizeco que destruiu o Brasil”.

“Eu não sento a mesa de quem matou de forma fria, metódica e cruel D. Marisa a fim de torturar na perseguição nosso Presidente Lula…Fico imaginando aqui os projetos!!!!!
Decepção.”

Outros, entretanto, foram mais ponderados.

“Parabéns Karnal, gente inteligente é assim, sabe aproveitar os momentos para aprender, mais nas divergências do que nas convergências! Três grandes mestres! Ah em relação aos comentários acima um recado: Os burros que me perdoa mas inteligência é fundamental! Abs”

“O mundo não é linear. Não é 8 ou 80. Não é binário. Menos extremismos e mais pontos de vista. Somos complexos demais para sermos reus de acusacoes fragmentadas. Mais cautela e compreensão, sempre!”

 

 

 

 

 

 

 

 

Será uma covardia coletiva reeleger os atuais políticos

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Por Elisa Robson *

Em 2016, demos um grande passo e mudamos o mapa da política brasileira varrendo o PT. Das investigações da operação Lava Jato à crise econômica iniciada no governo Dilma Rousseff, os eleitores reconheceram a gravidade dos fatos. Após governar o país por 13 anos seguidos, o partido sofreu a pior derrota entre todas as legendas sob qualquer aspecto.

No vácuo do declínio petista, partidos de menor expressão, os chamados “nanicos”, avançaram. A pulverização beneficiou siglas como PHS e PTN, por exemplo, que elegeram mais prefeitos e ganharam mais votos. Entre partidos maiores, o PSDB foi o que mais cresceu.

De lá pra cá, a Lava Jato continuou e chegamos a um momento crítico, necessário e aguardado, em que o número de políticos descobertos em tramas de corrupção não para de crescer.  Enquanto isso, integrantes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados tentam, de todas as formas, fazer com que leis e conchavos os livrem das consequências dos crimes que cometeram.

O caso mais escandaloso é o da anistia do caixa dois. Sobre esse tema, em novembro do ano passado, parlamentares chegaram a elaborar um texto para que fosse incluído no projeto das 10 Medidas Contra Corrupção um “perdão” automático a qualquer crime que estivesse vinculado a doação legal ou ilegal.

Veja como foi redigido.

“Não será punível nas esferas penal, civil e eleitoral, doação contabilizada, não contabilizada ou não declarada, omitida ou ocultada de bens, valores ou serviços, para financiamento de atividade político-partidária ou eleitoral, realizada até a data da publicação dessa lei”.

Na operação Lava Jato, os delatores contam que pagaram doações, fossem elas registradas ou não, como forma de propina a partir de contratos com a Petrobras. E, como você viu, o texto apresentado em forma de emenda dizia expressamente que estas doações não poderiam ser punidas nas esferas criminal, civil e eleitoral.

Eu poderia continuar escrevendo sem parar a fim de ajudar o leitor a lembrar de todos os absurdos que a nossa atual classe política cometeu até hoje. De todas as afrontas e mentiras que nos foram ditas. De todas as propostas, completamente ignoradas após as eleições, que versaram sobre segurança pública, transportes, educação, saúde, política fiscal, energia, relações internacionais, etc.

Mas, prefiro incentivar o leitor a acompanhar as notícias, desenvolver o seu sentido de cidadania e estimulá-lo a investir, mesmo que seja um pouco por dia, parte do seu tempo em refletir sobre como se poderá fazer efetivamente uma mudança por meio do voto daqui a 19 meses.

Não estou supondo que qualquer eleitor vá abrir mão de sua vida para ficar pensando sobre uma série de questões complexas que estão fora da sua alçada, como, por exemplo, se a prioridade do investimento público seria a saúde ou educação e como equacionar esse problema. De forma alguma. Porque isso deve ser proposto e solucionado pelo gestor político e sua equipe sobre quem depositaremos nossa confiança a partir das urnas.  É ele quem deve estudar, calcular, investigar sobre como e quais investimentos vão atender de fato às demandas mais prementes da população.

O que nos resta, então?  A quem vamos confiar nosso voto?

Mesmo que ainda não tenhamos a resposta direta para essa questão, precisamos levar em conta dois fatores desde já.

Em primeiro lugar, não devemos reeleger os que estão aí.  Não reeleger os que lutam contra a Lava Jato e fazem de tudo pela manutenção desse velho sistema corrupto. Portanto, estamos falando da maioria. Pois, poucos estão ao lado da Lava Jato.

Em segundo lugar, termos em mente que se o capital gerado e administrado pelos atuais governantes satisfazem as necessidades da classe política e dos interesses especiais mancomunados com ela, só há uma saída: esses governantes precisam ser banidos da vida pública.

*Elisa Robson é jornalista.

 

 

“Eu realmente acho que há risco de retrocesso”, alerta Moro

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O juiz Sérgio Moro disse, em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal “Valor Econômico”, que “realmente” acha que “há risco de retrocesso” quanto à herança deixada pela Operação Lava-Jato. Moro se refere à tentativa de anistia geral a crimes ligados a doações eleitorais, encampada pela Câmara dos Deputados no fim do ano passado.

Sobre a Lava-Jato, que completa três anos na semana que vem, Moro disse que “mais do que uma investigação criminal, transformou-se em um processo de amadurecimento institucional, no qual há crimes praticados por pessoas poderosas e em que se mudou de um regime de impunidade para outro de responsabilidade (pela prática de atos ilícitos)”.

Para o juiz, “algo mudou” no país após o processo do mensalão, mas Moro salienta que “é difícil prever o futuro. E se isso vai passar a ser uma regra (o regime de responsabilidade) ou se foi uma exceção”.

Moro não quis detalhar o que ele acha que mudou no país, dizendo:

“É, porque eu realmente acho que há risco de retrocesso. Fatos como aquela tentativa de anistia”, segundo ele, não apenas à anistia ao caixa dois, mas sim à tentativa de anistia geral que a Câmara dos Deputados encampou.

“Se fosse ao caixa dois seria algo menos preocupante. Digo a tentativa de anistia geral. E ainda tem uma incógnita, porque há muitas investigações em andamento. Teremos de ver qual será o destino delas”.

O juiz não quis comentar a indicação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para a relatoria da Lava-Jato no Supremo.

Sobre o legado da Lava-Jato, o juiz afirmou que o “trabalho que foi feito até agora é difícil de ser perdido”, graças a todas as condenações e dinheiro público recuperado. “Acho que a grande questão é até onde vai, entendeu? Para onde se pode ir”, salientou o juiz, dizendo achar importante o desdobramento da operação para outros estados.

Ele disse acreditar que o “próprio crescimento institucional” possibilitou a Lava-Jato chegar onde chegou e disse não ter ideia de quando pode terminar.

“Normalmente o tempo de duração de uma ação penal é de seis meses a um ano, aproximadamente. Até o julgamento. Mas tem investigações em andamento, e a conclusão delas é mais imprevisível”.

Moro finaliza a entrevista comentando acusações de que houve excessos na Lava-Jato.

“Não vejo com clareza excessos. Pela dimensão dos crimes em investigação e pelo caráter sistemático deles, não vejo algo que possa ser descrito como excesso”.

 

Faça amor, não faça greve.  E vote certo nas próximas eleições

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Por Elisa Robson*

Quando Evelyne Sullerot publicou o livro Le Fait (Fato Feminino), ela escreveu em sua introdução sobre uma ambiguidade que acompanha o movimento feminista: por um lado, a mulher quer os mesmos direitos que o homem, negando, muitas vezes, as diferenças biológicas que os distinguem. Por outro lado, pretende exaltar a originalidade pessoal. “O que queremos? Parecer melhor que os homens ou expressar nossa especificidade?”, perguntou-se.

A reflexão de Evelyne poderia ser completada por outra, a da historiadora Régine Pernoud:

“Tudo se passa como se a mulher, satisfeitíssima com a ideia de ter penetrado no mundo masculino, permanecesse incapaz de um esforço de imaginação suplementar, necessário para trazer a este mundo sua própria marca, o que precisamente faz falta à nossa sociedade. É suficiente imitar o homem, ser julgada capaz de exercer as mesmas funções, de adotar comportamentos e até hábitos de vestuário do parceiro? Há de se perguntar se ela está muda de admiração inconsciente em relação a um mundo masculino que crê ser necessário e suficiente, a ponto de ser copiado com maior exatidão possível.”

Os questionamentos acima convocam as mulheres a uma verdadeira reflexão sobre o seu papel na sociedade e suas conquistas. São pensamentos que levam o debate a um nível mais essencial. Pois mostram o que realmente importa: não ditar às mulheres o que devem fazer, mas sim respeitar sua liberdade; confiar nelas, convidá-las a refletir sobre por si mesmas, sobre sua missão, que se sintam chamadas a trazer algo novo, onde quer que estejam, no parlamento ou na família.

Por isso, é um tanto ridículo, por exemplo, contar quantas mulheres subiram ao Congresso, ou a qualquer outra função, como se tratasse de marcar pontos em um jogo e medir quantitativamente a promoção da mulher. Veja que se elas permanecem pouco numerosas não é simplesmente a velhos preceitos. É antes devido a outro fator.

Observe o que declarou a senadora Gleisi Hoffmann:

“Neste ano, o dia 8 de março será um dia de greves. Vamos fazer greves. Vamos fazer greves nas escolas, nas nossas casas. Estamos chamando para fazer greves nas atividades domésticas, fazer greves na área de trabalho, fazer bloqueio de estradas, fazer marchas, fazer abstenção de todo trabalho doméstico, inclusive abstenção sexual. É isso. As mulheres vão parar por um dia, como foi na Finlândia. Queremos que tenha o mesmo impacto. Lá as mulheres tiveram de parar tudo por um dia para mostrar o que elas representavam para a sociedade, senão a sociedade não nos vê. Somos invisíveis, como, aliás, já fomos nesta Casa por várias vezes, em várias discussões”.

Vejo nessa declaração a razão principal para a política ter mudado tão pouco, mesmo após se ter outorgado o direito ao voto e à elegibilidade da mulher.

No discurso de Gleisi é possível constatar porque a promoção política e profissional da mulher trouxe poucas mudanças à marcha de nossa civilização.

Reconhecer a mulher como pessoa é deixar com ela a inteira responsabilidade por suas escolhas, é respeitar sua liberdade. Mas, e os homens? Será que emudecê-los, como se todos pensassem unicamente em manter funcionando uma grande máquina inexorável que obedece cegamente às vontades masculinas, sem nenhuma preocupação com as reações femininas?

Pois, em certa medida, foi essa a sugestão da senadora petista: vamos à greve, vamos interromper nossas ações para garantir nossos direitos. Vamos cruzar os braços em tudo o que for possível.

Minha experiência é que se há uma forma de ajudar homens e mulheres nessa jornada o segredo está precisamente ao contrário da ideia de Gleisi.  É necessário uma aproximação, não um distanciamento.

E a melhor aproximação consiste no diálogo. Perder-se em discussões intermináveis, como pretendem as feministas mais polêmicas, não nos levará ao progresso. É necessário pensar em uma procura honesta para o diálogo, passo a passo, sobre qual a conduta mais justa para homens e mulheres.

Um diálogo que respeite a consciência, que seja lúcido e plenamente comprometido por ambas as partes.

Não há outro caminho para uma participação política que de fato influencie a nossa sociedade.

E, ao contrário da ordem de Gleisi, prefiro ficar com exortação de outra escritora, France Quéré, sobre a loucura a que chegou o discurso feminista: “Queremos que a mulher seja uma pessoa e lhe pedimos para agir como papagaio. Empurramos para que imite o homem, assim sua superioridade fica, como consequência, devotamente louvada”.

E, claro, recomendo: faça amor, não faça greve.  E vote certo nas próximas eleições.

*Elisa Robson é jornalista.

‘Faça concurso para juiz’, diz Moro a advogado de Palocci

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Defesa do ex-ministro protestou contra pergunta feita pelo magistrado ao executivo Fernando Barbosa, da Odebrecht

O juiz Sergio Moro e o advogado de Antonio Palocci, José Roberto Batochio, discutiram durante audiência realizada na manhã desta segunda-feira (6). O juiz queria saber de uma testemunha, o executivo Fernando Barbosa, da Odebrecht, o que ele havia entendido sobre o conteúdo de um e-mail que lhe fora endereçado.

“Com devido respeito, testemunha não pode achar nada, não opina. Não vou aceitar essa violência”, protestou Batochio, que pretendia ver anulada a pergunta do juiz. Moro indeferiu a questão e, diante de novo protesto, encerrou o assunto: “Faça concurso para juiz e assuma então a condução da audiência, mas quem manda na audiência é o juiz”.

A discussão ocorreu depois que o juiz perguntou a Fernando Barbosa, uma das testemunhas ouvidas, se ele sabia quem era o “Italiano” nas planilhas da Odebrecht. Barbosa disse que sabia, por outros executivos da empresa, que Palocci era “o Italiano”.

Ao fim do depoimento, a defesa de Palocci quis saber novamente como Fernando Barbosa sabia que o ex-ministro era o “Italiano”, uma vez que não o conhece e nunca esteve com ele. “Eu ouvi dizer por colegas da empresa que o ‘Italiano’ era o Palocci, mas não estive com ele, não conheço ele, essa é a verdade”, disse o executivo.

Barbosa confirmou que o codinome “Italiano”, que constava em planilhas de pagamento de propina da empresa, pertencia ao ex-ministro Palocci. Nas investigações da Lava Jato, o apelido “Italiano” aparece numa das planilhas apreendidas no setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, mais conhecido como departamento de propina. Para a Lava Jato, todos os recursos movimentados por “Italiano” eram direcionados ao PT e alcançaram R$ 128 milhões, entre 2008 e 2013.

Ao receber a denúncia contra Palocci, Moro afirmou em despacho que havia provas que Palocci era o responsável pela coordenação dos recebimentos da Odebrecht para seu grupo político. Na planilha “Posição Programa Especial Italiano”, apreendida no email de Fernando Migliaccio da Silva, em julho de 2012, o valor disponível era “200.098”.

Há ainda na parte inferior do documento, sob o título “Composição do Saldo”, os codinomes “Itália – 6.000”, “Amigo – 23.000” e “Pós Itália – 50.000”. Para a força-tarefa da Lava Jato, “Pós-italiano” refere-se ao ex-ministro Guido Mantega, que teria sucedido Palocci na administração dos recursos.

Na semana passada, após depoimento de Marcelo Odebrecht à Justiça eleitoral, nainvestigação da chapa Dilma-Temer, a assessoria de Dilma afirmou que “não é verdade que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido Mantega como seu representante junto a qualquer empresa tendo como objetivo a arrecadação financeira para as campanhas presidenciais” e que nas duas eleições foram designados tesoureiros, de acordo com a legislação.

Palocci é acusado neste processo de ter orientado a Odebrecht a fazer pagamentos no exterior a João Santana, cobrindo gastos de campanha do PT. A defesa de Palocci nega as acusações e afirma que ele não é o “Italiano” das planilhas da construtora.

Fonte: Gazeta do Povo

“Estão tentando esvaziar a Lava Jato, mas a Operação tem força própria”, avisa procurador

Fonte: Diário do Poder

Os Odebrecht e as Farc: máquinas do crime e sangue de inocente nas mãos

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Por Elisa Robson*

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foram criadas em 1964, como um grupo de cunho marxista-leninista, atuando no meio rural e adotando táticas de guerrilha. Seu discurso ideológico era a implantação do socialismo na Colômbia. Durante a década de 1990, chegaram a ter 18 mil guerrilheiros.  E até 2016, o saldo era de mais de 260.000 mortos, dezenas de milhares de desaparecidos, quase sete milhões de pessoas que tiveram de deixar suas casas à força, estupros, sequestros e inúmeras vidas marcadas para sempre.

O contrabando de drogas, em especial da cocaína, sempre foi prática comum nas Farc, pois era por meio desse recurso que a organização obtinha dinheiro para se equipar militarmente e praticar toda sorte de perversidades contra população colombiana.

Bem, essas eram as informações oficiais que se tinha até ontem (4).  Informações que, certamente, deveriam ser o suficiente para que ninguém pudesse cogitar fazer qualquer tipo de transação comercial com a organização terrorista, sabendo que tal “negócio” levaria inevitavelmente ao seu financiamento.

Mas não para os Odebrecht.

Na ganância por ocupar territórios, eles partiram para a guerrilha.  Em sua ambição desmedida por adquirir vantagens que não conseguiram obter no livre mercado, eles optaram pelo crime.

A construtora brasileira não apenas foi capaz de tecer uma ampla rede de subornos na América Latina, como também fechar negócios com o grupo terrorista da Colômbia. A empresa reconheceu ter pago durante 20 anos um imposto à principal guerrilha colombiana em troca de poder realizar suas obras, entre as quais se encontra a Ruta del Sol, rodovia que liga o centro da Colômbia a cidades do Caribe. As entregas de dinheiro começaram nos anos noventa e oscilavam entre 50.000 e 100.000 dólares (155 mil e 311 mil reais) ao mês.

De acordo com a revelação feita pela revista Veja sobre o caso, a Odebrecht admitiu à Justiça ter entregado 11,2 milhões de dólares (34,9 milhões de reais) na Colômbia em apenas cinco anos, entre 2009 e 2014. Segundo a declaração de um ex-senador colombiano à Procuradoria-Geral, uma parte do dinheiro, 1 milhão de dólares (3,1 milhões de reais), teria sido destinada à última campanha eleitoral do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em 2014.

Em setembro de 2016, com a Operação Lava Jato a todo vapor, Juan Santos promoveu um plebiscito para saber se os colombianos concordavam com um certo “acordo de paz” entre o governo e as Farc. A população, que tanta injustiça sofrera nas mãos dos terroristas, obviamente recusou. Não obstante, o presidente colombiano foi em frente. Resultado: no dia 28 de dezembro, o governo aprovou uma  Lei de Anistia com perdão de todos os membros das Farc, beneficiando 4.500 membros da organização.

Como você pode perceber, a interligação é a mesma de sempre e a que afronta os cidadãos com alta sordidez: mentiras, delitos, propinas, subornos, favorecimentos, fraudes, deturpações, negociatas.

Os Odebrecht seguiram direitinho a cartilha do crime. Associaram-se corruptamente a políticos. No caso do Brasil, principalmente ao PT, que ficou um longo tempo no topo do poder e, na Colômbia, a Juan Santos.  O dinheiro ajudou candidatos dos dois países a criarem uma coalizão que usou o poder do estado (e, agora, sabemos também o poder do narcotráfico) em seu benefício sem sofrer nenhuma resistência.

Embora não tenham usado armamento militar para o crime, os Odebrecht, ao financiarem as Farc, carregam em sua história o sangue de inocentes, da população colombiana que foi explorada até à morte.  A arma que usaram? A corrupção.

E como nos ensinou o procurador Deltan Dallagnol: “A corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa. Ela é uma serial killer”.

*Elisa Robson é jornalista.

 

 

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